França expulsa dois diplomatas iranianos em resposta a medida de Teerão
"A nuncio que dois diplomatas iranianos em França serão expulsos em breve", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, numa mensagem na rede social X, em resposta ao que considerou ser um gesto "intolerável" da República Islâmica.
Em 20 de julho, Barrot condenou as detenções como "um ato extremamente grave de intimidação por parte dos serviços de segurança iranianos" contra os diplomatas, dos quais um era o adido cultural da embaixada.
O governante francês argumentou que os diplomatas foram "detidos sem motivo durante várias horas" e interrogados devido à sua missão de apoio à sociedade civil iraniana.
O Irão negou as acusações, afirmando que os diplomatas foram apenas "brevemente interrogados" pelos serviços de segurança depois de terem participado numa "reunião com várias pessoas procuradas pelas autoridades".
No sábado, o Ministério dos Serviços de Informações iraniano acusou a França de conduzir "um vasto projeto com o objetivo de exercer influência" no Irão e de "preparar o terreno para ações francesas contra a independência do Irão".
Em reação, Glenn Salic, porta-voz adjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, lamentou que as autoridades iranianas tenham optado por "fazer acusações completamente falsas" contra os diplomatas de Paris e "fabricar um caso de interferência para justificar as suas ações".
Em alternativa, prosseguiu, o Irão deveria "esclarecer este ataque premeditado e deliberado, punir os perpetradores e assumir os compromissos necessários para garantir a segurança" das instalações e pessoal francês destacado em Teerão.
A decisão de expulsar os diplomatas iranianos "já foi comunicada ao embaixador da República Islâmica do Irão, que foi convocado hoje para o Palácio Quai d'Orsay", acrescentou o porta-voz, referindo-se à sede da diplomacia francesa.
Na segunda-feira, familiares de dois designers gráficos iranianos relataram à agência France-Presse (AFP) que estão detidos desde 19 de julho, em Teerão, após um encontro com diplomatas franceses.
Os familiares contaram que Aria Kasaei, de 46 anos, e Elly Naghilou, de 36, foram detidos no dia 19 de julho durante uma reunião de trabalho com dois representantes do serviço cultural da Embaixada de França.
A reunião dizia respeito à Villa Zadig, um programa de residência artística e intercâmbio gerido pelo serviço cultural da embaixada francesa no Irão.
Jean-Noël Barrot não mencionou o caso destes designers gráficos, mas sublinhou que "é precisamente porque a França se solidariza com o povo iraniano, apoiando os seus artistas, cientistas e investigadores, que dois diplomatas franceses foram atacados de forma ultrajante e deliberada no dia 19 de julho".
O ministro francês elogiou o "grande povo" iraniano, que considera "a principal vítima deste período de extrema tensão no Médio Oriente", ao ser apanhado num "fogo cruzado", entre a violenta repressão aos protestos antigovernamentais no início do ano, que provocou milhares de mortos, e os ataques aéreos lançados por Estados Unidos e Israel a partir de 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
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