Excedente externo da economia reduz-se para 0,8% do PIB no primeiro semestre
O excedente externo da economia portuguesa encolheu para 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre, quando em igual período do ano passado tinha alcançado cerca de 1,5%, de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal.
Segundo o regulador, a economia portuguesa registou um excedente externo de 1.201 milhões de euros na primeira metade do ano, menos 45,8% que no mesmo período do ano passado .
Já em cadeia, são mais 348 milhões de euros que em maio, mas continuando abaixo do verificado nos mesmos meses de 2024 e 2025.
O BdP atribuiu a redução do excedente ao aumento de 2.508 milhões de euros do défice da balança de bens e ao aumento de 1.325 milhões de euros do excedente da balança de capital.
Excedente externo trava para 814 milhões até abril Ler Mais No caso da balança de bens, destacou-se um aumento das importações (+4.715 milhões de euros) acima do dobro do crescimento das exportações (2.207 milhões de euros).
Já o aumento do excedente da balança de capital “reflete o incremento dos recebimentos de indemnizações de resseguros provenientes do exterior”, em particular devido à compensação por danos causados pelas tempestades que afetaram o território continental nos primeiros meses do ano.
A estas compensações junta-se “o crescimento das atribuições, aos beneficiários finais, de fundos europeus classificados como ajudas ao investimento, nomeadamente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.
O banco central assinala que a capacidade de financiamento da economia portuguesa até junho resultou num saldo da balança financeira de 630 milhões de euros , contra 285,2 milhões de euros no mês anterior e 1.862,6 milhões de euros um ano antes.
“Os setores que mais contribuíram para este saldo positivo foram as administrações públicas, por via do aumento dos seus depósitos no exterior, e as seguradoras e fundos de pensões, pelo investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes”, refere o BdP, numa nota.
Excedente externo da economia cai para 2,7% em 2025 Ler Mais Já o banco central e as empresas não financeiras tiveram as maiores reduções de ativos líquidos, “devido ao crescimento dos passivos de depósitos e de capital, respetivamente”.
Quanto à sua posição de investimento internacional, que reflete o saldo entre os ativos financeiros sobre o exterior detidos por residentes e os passivos emitidos por residentes e detidos pelo resto do mundo, Portugal apresentou o seu rácio menos negativo desde o terceiro trimestre de 2001, atingindo 48,3% do seu PIB, o equivalente a -152.800 milhões de euros.
Esta variação resulta de vários fatores.
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