Síndrome de Rapunzel: Jovem descobre que pelo ocupava 90% do estômago
Uma jovem de 27 anos foi diagnosticada com a chamada síndrome de Rapunzel, depois de ter passado seis meses com dores abdominais, vómitos e dificuldade em comer, além de ter sofrido uma perda progressiva de peso.
Quando se dirigiu ao hospital, os profissionais de saúde verificaram que uma massa de pelo ocupava 90% do seu estômago e praticamente impedia a saída de alimentos.
O caso foi dado a conhecer pelos médicos Pedro Agustín Lovato Gutiérrez e Francisco Molina, do Equador, no "Journal of Surgical Case Reports", uma publicação científica da Oxford University Press.
A jovem foi diagnosticada com um enorme tricobezoar gástrico, o termo médico que descreve uma massa de cabelo ingerido que se acumula no aparelho digestivo, de acordo com o 20 Minutes.
Uma endoscopia revelou que a bola de pelo ocupava 90% da cavidade gástrica, provocando uma obstrução do píloro, a zona que liga o estômago ao duodeno.
Uma tomografia computadorizada mostrou ainda uma dilatação significativa dessas zonas, sendo que os médicos encontraram até imagens compatíveis com uma possível síndrome secundária da artéria mesentérica superior.
A jovem foi, assim, diagnosticada com síndrome de Rapunzel, que se trata de uma forma rara de tricobezoar, na qual uma massa de cabelo acumulada no estômago desenvolve uma extensão que atravessa o píloro e entra no intestino delgado.
Face à dimensão do problema, os médicos levaram a cabo uma laparotomia e abriram a parede anterior do estômago, para extraírem completamente a massa de cabelo.
Os autores do estudo assinalaram, inclusive, que a remoção exigiu um manuseamento cuidadoso devido ao "seu tamanho e consistência".
De notar que esta condição está ligada à tricofagia – a ingestão de cabelo –, que pode surgir associada à tricotilomania, um distúrbio caracterizado pela prática repetida de arrancar o próprio cabelo.
Uma avaliação psiquiátrica confirmou que a doente vivia tanto com tricotilomania, como tricofagia.
Os tricobezoares podem permanecer ocultos e gerar sintomas relativamente inespecíficos, entre eles dor abdominal, perda de apetite, perda de peso, náuseas e vómitos.
Contudo, quando atingem grandes dimensões, podem provocar complicações mais graves, nomeadamente obstruções do estômago ou do intestino, hemorragias, úlceras e perfurações.
Neste caso, a mulher conseguiu voltar a ingerir alimentos e recebeu alta ao fim 72 horas.
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