Lula diz que recusa fazer política em igrejas durante encontro com evangélicos
"E u me recuso toda vez que me pedem alguém para ir numa igreja falar de política, eu não vou", afirmou Lula, acrescentando que respeita "muito a fé das pessoas" e o compromisso individual de cada pessoa com Deus.
"Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja", declarou Lula, que justificou a decisão com o respeito pelo espaço de fé e pelo momento de cada pessoa para conversar com Deus.
O encontro ocorre num contexto em que o eleitorado evangélico tem cada vez mais peso relevante no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47,4 milhões de brasileiros declararam-se evangélicos, correspondendo a 26,9% da população.
O número representa um crescimento três vezes maior comparado ao Censo de 1991, quando os protestantes representavam 9% da população do país.
Uma sondagem de intenção de voto do Datafolha, divulgada em 12 de setembro, mostra Flávio Bolsonaro com 62% de aceitação entre os evangélicos, enquanto Lula regista 29%.
O levantamento também mostra diferenças entre católicos e evangélicos: Lula lidera entre os católicos, com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro regista 29%.
Entre os evangélicos, o senador e candidato do Partido Liberal à Presidência da República conta com 50% das intenções de voto, enquanto Lula tem 22%.
Durante o encontro, Lula também recordou que, quando criou o Partido dos Trabalhadores (PT), precisou explicar a cor vermelha da bandeira e recorreu ao cristianismo para justificar a escolha.
"Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira", disse, acrescentando que também explicou a estrela do partido como símbolo usado pelos navegadores para orientação e a sua própria barba com a referência de que "Jesus Cristo era barbudo".
Em sua fala aos religiosos, o chefe de Estado brasileiro voltou a associar a sua trajetória de vida – marcada pela pobreza e luta contra a fome - a um milagre, e que Deus sempre foi generoso com ele.
"Se Deus pegou o menino que nasceu no Nordeste brasileiro com possibilidade de morrer de fome até 5 anos de idade e fez ele sobreviver, e fez ele chegar à Presidência da República três vezes, não pode ter maior abraço que Deus deu num ser humano do que deu em mim", realçou.
Ainda durante o encontro, Lula adiantou o que irá discursar na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na próxima semana, ao reiterar a crítica ao Conselho Segurança da Organização da ONU.
O chefe de Estado brasileiro chamou "covardes" especificamente os cinco membros permanentes com poder de veto: França, Reino Unido, Estados Unidos, Rússia e China.
"Vocês estão desrespeitando a razão pela qual foi criado o Conselho de Segurança da ONU. Foi criada para fazer paz, para fazer harmonia e não para fazer guerra", afirmou, referido aos cinco países.
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