Portugal: jovens saem de casa aos 29 anos, quase três anos depois da média da UE
Há uma altura em que o quarto onde crescemos começa a parecer demasiado pequeno para os sonhos que temos.
Os livros da adolescência continuam na estante, as fotografias antigas permanecem na parede e, algures entre a roupa por arrumar e as contas por pagar, começa a nascer a vontade de ter uma casa nossa.
Um lugar onde ninguém pergunta a que horas chegamos, onde podemos jantar às dez da noite ou passar um domingo inteiro de pijama.
O problema é que, para muitos jovens portugueses, sair de casa dos pais é hoje menos uma questão de vontade do que de carteira.
Em Portugal, os jovens deixam a casa dos pais, em média, aos 28,8 anos, segundo os dados de 2025 do Eurostat.
É uma das idades mais elevadas da Europa, num retrato em que a independência chega ainda mais tarde na Croácia, aos 31,5 anos, e na Grécia e na Eslováquia, aos 30,9 anos.
A média da União Europeia situa-se nos 26,3 anos.
São, portanto, mais 2,5 anos de espera para os jovens portugueses, em comparação com os seus pares europeus.
A diferença não se mede apenas em aniversários.
Mede-se nos planos adiados, nas relações que procuram um espaço próprio, nos casais que continuam a viver com os pais porque uma renda consumiria uma parte demasiado grande do salário.
Mede-se também naquela conversa, tantas vezes repetida à mesa, sobre a possibilidade de comprar casa, como se a chave da independência estivesse sempre um pouco mais longe.
Durante muito tempo, sair de casa foi visto como um dos primeiros grandes passos da idade adulta.
Arranjar emprego, alugar um apartamento, comprar os primeiros móveis, aprender a gerir as despesas e descobrir que a máquina de lavar roupa não funciona por milagre.
Pequenos rituais de autonomia que pareciam fazer parte de uma sequência natural da vida.
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