Preço dos combustíveis a caminho de um aumento homólogo de 16% na reta final do ano
A Oxford Economics reviu em alta as previsões de inflação para Portugal, projetando uma taxa média de 3,3% este ano e 3% em 2027, valores que traduzem sobretudo o prolongamento do choque energético.
Combustíveis aceleram inflação para 3,3% em agosto Ler Mais Segundo o relatório divulgado na quarta-feira, “a inflação reacendeu-se em agosto, subindo 0,3 pontos percentuais para 3,3%” , um movimento atribuído a um aumento de quase 3,3% nos preços da energia em termos mensais.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), apontam para uma taxa de inflação homóloga de 3,3% no mês passado e de 12,2% dos produtos energéticos, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor.
A casa de análise britânica, uma das maiores consultoras independentes de previsão económica do mundo, fundada em 1981 em parceria com a Oxford University’s Business College, considera que os preços do petróleo e do gás vão manter-se em níveis elevados até início de 2027, o que estende a pressão sobre o custo de vida das famílias portuguesas por mais tempo do que se antecipava há um mês.
Os custos energéticos mais elevados vão também reforçar a próxima subida da inflação dos preços alimentares, que acreditamos atingir um pico acima dos 4% em termos homólogos no verão de 2027, a partir dos pouco mais de 2% atuais.
Ricardo Amaro Economista principal para Portugal da Oxford Economics Os combustíveis são o exemplo mais direto desse impacto .
De acordo com o documento assinado pelo economista Ricardo Amaro, isto “levará a inflação dos combustíveis para 16% em termos homólogos no quarto trimestre, e ser menos desinflacionista em 2027” , uma revisão que decorre diretamente da deterioração recente do panorama energético global.
É um número que se sente de forma imediata no orçamento de quem depende do carro para trabalhar mas não só, porque o efeito não fica pelos combustíveis.
Portugal na lista da UE com combustíveis a subir mais de 20% Ler Mais O economista da Oxford Economics aponta que “ os custos energéticos mais elevados vão também reforçar a próxima subida da inflação dos preços alimentares , que acreditamos atingir um pico acima dos 4% em termos homólogos no verão de 2027, a partir dos pouco mais de 2% atuais”.
A explicação está ligada à cadeia de produção e distribuição de bens alimentares, que depende de energia em praticamente todas as etapas, do transporte à refrigeração, pelo que o encarecimento dos combustíveis tende a chegar ao preço final dos produtos com algum desfasamento.
A perspetiva da Oxford Economics contrasta com o cenário central divulgado pelo BCE em setembro.
O banco central prevê que a inflação na Zona Euro atinja 3,6% no último trimestre deste ano, antes de recuar para 2,5% no segundo trimestre de 2027.
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