Novobanco põe à venda ativos tóxicos de Luís Filipe Vieira de 583 milhões
O conjunto de ativos stressados que pertenceram a Luís Filipe Vieira – e que o Novobanco pôs à venda – tem um valor nominal total de 583 milhões de euros, distribuído pelos quatro pacotes, apurou o Jornal Económico.
Batizado de “Project Horizon”, o projeto – avançado pelo jornal Eco – está à venda no mercado desde junho e incorpora subcarteiras, de forma a permitir que os interessados possam apresentar ofertas apenas para partes do lote.
Este valor resulta da soma das subcarteiras de ativos problemáticos ligados ao antigo presidente do Benfica, que incluem 66 milhões de euros de dívida sobre ativos em Portugal; 25 milhões de euros de dívida sobre ativos em Moçambique; e 352 milhões de euros em ativos em Portugal.
Este último montante inclui um direito (put option) do Novobanco, sobre o qual não existem garantias, relativo aos ativos que estão no Fundo de Investimento Alternativo Especializado (FIAE) Promoção e Turismo, criado em 2017 para gerir e reestruturar os créditos e ativos dos grupos Promovalor e Inland detidos pelo Novobanco.
Entre estes ativos estão a Páteos da Luz (Tavira), a Quinta dos Salgados (Santa Iria da Azóia), as Portas Santa Luzia (Tavira), o Parque Oriente (Loures) e a Quinta do Cochão (Vila Franca de Xira).
O Novobanco exerceu este ano a opção de venda das ações da Promovalor e da Inland, mas a operação não foi concretizada “por incumprimento da contraparte (Luís Filipe Vieira)”.
Esta put option está agora à venda no âmbito do “Project Horizon”.
Recorde-se que o Novobanco acabou por ficar com a Promovalor II e a Inland, duas sociedades imobiliárias de Luís Filipe Vieira, depois de uma decisão recente do Supremo Tribunal de Justiça ter confirmado a conversão dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC), no valor de 160 milhões de euros, em ações.
O banco passou a deter 66% da Promovalor e 63,3% da Inland, segundo o Eco.
O “Project Horizon” inclui ainda 140 milhões de euros em unidades de participação no fundo FIAE, cujo NAV (Net Asset Value) “é zero”, segundo as nossas fontes.
Trata-se, portanto, de terrenos sem licenciamento situados nos arredores de Lisboa e no Algarve, de um edifício em Maputo que alberga a sede do Moza Banco, das participações na Promovalor e na Inland e ainda das unidades de participação do Fundo de Investimento Alternativo Especializado.
Tudo isto tem um valor nominal de 583 milhões de euros, mas será vendido com um grande desconto, como é prática neste tipo de negócio.
O Novobanco já provisionou estes ativos a 100%, uma vez que as regras bancárias não permitem que os bancos mantenham ativos em incumprimento por mais de oito anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.