Folio discute vantagens e riscos da Inteligência Artificial nos mercados financeiros
A Inteligência Artificial está a contribuir para a rapidez e democratização no acesso à informação do mercado financeiro, mas alertam os analistas, a decisão sobre o investimento ainda tem que ser feita pelo humano.
“Pode a Inteligência Artificial (IA) conhecer e decidir” quando estão em causa investimentos financeiros, foi a questão lançada na última mesa do Folio TEC a peritos em investimento e tecnologia como César Borja, David Nascimento, Davi Ramos e Kenllen Abreu.
A resposta dos oradores é unânime no que toca ao conhecimento, defendendo todos que a IA veio “democratizar o acesso à informação e a capacidade de cruzar dados de forma muito mais rápida”, tornando os mercados financeiros “mais eficientes”.
Porém, “a IA pode fazer o trabalho de um analista, fornecer os dados, mas a decisão de investir terá sempre que ser tomada pelo homem”, para evitar “decisões erradas ou ambiguas”, afirmou o analista César Borja, investidor particular em ações, com mais de três décadas dedicadas ao estudo dos mercados financeiros.
“As respostas da IA nunca podem se tomadas como certezas absolutas”, advertiu David Nascimento, co-fundador de três empresas tecnológicas “The Creative Farm, Mashed Potatoes e Qiosq”, que desenvolvem projetos de arquitetura de sistemas de dados.
“Preocupa-me a forma como estas tecnologias são aplicadas pelo cidadão comum, potencial investidor, porque os riscos são muito grandes”, acrescentou, vincando que apesar da “democratização do acesso à informação “o comum do cidadão não pode concorrer com bancos ou corretoras”.
Convictos de que o sistema ideal será aliar a informação fornecida pela IA ao “aconselhamento” de quem domine o mercado financeiro, os quatro oradores concordaram que, por mais exatas que possam ser as análises de dados fornecidas pela IA “o futuro é imprevisível e é preciso ter uma estratégia de controlo do risco”.
Ainda assim, sustentou David Nascimento, esta ferramenta é “uma nova oportunidade para o investidor comum, o jogador mais enfraquecido” na arena financeira, e um passo para tornar mais igual “um terreno ainda desnivelado” entre investidores.
Os quatro deixaram ainda claro que, apesar dos riscos, a IA “pode tornar melhores todas as profissões” e que os custos para a humanidade serão sempre maiores se “não se apanhar este comboio”.
A conversa em que os quatro refletiram sobre “Os limites da máquina – Pode a IA conhecer e decidir”, fechou hoje a programação da tenda dos autores no Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos.
Sob o lema “Para além da pele”, o festival decorre na vila até domingo, contando com a participação 450 autores em cerca de 300 iniciativas em torno da literatura.
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