A crise do ‘Hegemon’?
Não é raro os jornais falarem de hegemonia dos Estados Unidos.
Ou descreverem a América como potência hegemónica.
Renato Flôres, numa entrevista publicada esta semana no DN, prefere, porém, usar a palavra grega, Hegemon, que impõem respeito até pelo som.
Considera o académico brasileiro que “um Hegemon muito poderoso, como talvez nunca se viu, comparável ao Império Romano, está a cair”.
E acrescenta em tom de alerta o diretor da International Intelligence Unit na Fundação Getúlio Vargas, olhando para os precedentes históricos: “A queda de um Hegemon não é um processo linear, nem simples.
O poder de um Hegemon desta força é multidimensional e, consequentemente, a sua queda também o será.
Embora haja uma tendência decrescente, vamos ter configurações mais favoráveis e menos favoráveis a oscilar em torno dela.” Originalmente Hegemon queria dizer “líder”, explicou-me uma amiga grega.
Hoje os gregos não usam a palavra assim tanto no dia à dia, talvez mais para destacar algum grande líder de outra era.
Usam mais “hegemonia”, com o mesmo sentido que em português, que tem que ver com a capacidade de exercer liderança, como acontece com os Estados Unidos hoje, ou há dois mil anos acontecia com Roma.
Flôres, que está em Portugal para a 7.ª Conferência de Lisboa , que tem hoje o seu segundo dia na Gulbenkian, não prevê que, de um dia para o outro, Washington caia.
Mesmo Roma, por fim invadida pelos bárbaros, caiu lentamente.
Não aconteceu tudo em 476.
Muitos, vendo as fragilidades do Império, adivinhavam o seu colapso, mas as décadas, e os séculos, passavam sem a profecia se concretizar.
Igualmente, não faltam, ao longo dos anos, os livros que falam da decadência americana e de como outra superpotência tomará o seu lugar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.