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Transparência salarial: estarão as empresas portuguesas realmente preparadas para abrir o jogo?

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Transparência salarial: estarão as empresas portuguesas realmente preparadas para abrir o jogo?

“Se não for indiscrição…” Talvez esta seja uma das frases mais utilizadas pelos portugueses antes de perguntarem quanto ganha alguém.

Isto quando chegam sequer a fazê-lo.

Em Portugal, falar de dinheiro continua a ser um grande tabu – e não apenas no local de trabalho.

O salário é, muitas vezes, um assunto privado, sobre o qual se fala pouco e se pergunta ainda menos, mesmo dentro das empresas.

É precisamente este silêncio que a nova Diretiva Europeia da Transparência Salarial e a proposta de transposição que está agora em discussão em Portugal vêm desafiar.

Mais do que uma mudança que já esteja plenamente em vigor, estamos perante um novo enquadramento que começa a obrigar as empresas a preparar-se para falar mais abertamente sobre remuneração, explicar os critérios que estão por trás da sua atribuição e garantir maior equidade entre trabalhadores.

E isso coloca uma questão inevitável: estarão as empresas portuguesas preparadas para abrir o jogo? Portugal tinha até 7 de junho de 2026 para adaptar a sua legislação às novas regras europeias, prazo que terminou sem que a transposição estivesse concluída.

De acordo com o Guia Hays 2026, menos de 30% dos anúncios de emprego em Portugal incluem qualquer referência salarial, numa altura em que 85% dos profissionais admitem sentir-se mais motivados a candidatar-se quando o salário é público.

Ainda que a proposta em discussão não determine necessariamente que essa informação tenha de constar do anúncio de emprego, isso não significa que as empresas devam esperar pela entrada em vigor da legislação nacional para começar a preparar-se.

Até porque, mais cedo ou mais tarde, a informação sobre remuneração terá de ser comunicada e poderá abrir espaço a pedidos de esclarecimento e comparação entre colegas.

Existe, por isso, um período importante para as empresas reverem as suas estruturas, perceberem o que está por trás das diferenças salariais e garantirem que tudo faz sentido antes de terem de o explicar.

Porque o verdadeiro desafio não está apenas em comunicar a remuneração aos candidatos.

Está em saber explicar o que está por trás dela.

Muitas empresas construíram as suas estruturas salariais ao longo dos anos através de decisões individuais: uma contratação urgente, uma negociação mais agressiva, uma promoção, uma contraproposta para reter talento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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