Líder da república russa da Chechénia eleito com quase 100% dos votos
Kadyrov, que chegou ao poder em 2007, e é acusado de inúmeras violações dos direitos humanos por organizações internacionais, tinha obtido 99,7% dos votos há cinco anos.
Os 0,05% dos votos que não foram atribuídos a Kadyrov foram repartidos por Ismail Denilkhanov, do partido Rússia Justa, e Khalid Nakayev, dos comunistas.
Desde que assumiu a presidência da república norte-caucasiana, o líder checheno conta com o apoio de Putin, que lhe atribuiu as mais altas honras estatais.
A república — onde Kadyrov impôs um Estado policial que persegue qualquer sinal de dissidência e minorias sexuais, segundo os defensores dos direitos humanos — é amplamente subsidiada pelos cofres do Estado federal.
Segundo a imprensa independente, trata-se do pagamento do Kremlin pelo facto de as autoridades chechenas terem liquidado a guerrilha islâmica separatista e jurado lealdade ao Kremlin.
O Kremlin procurou que as eleições servissem para demonstrar o apoio popular à guerra e esforçou-se por evitar riscos políticos, esmagando qualquer dissidência, de acordo com a AP.
O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia.
O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais.
Alguns políticos anti guerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral.
O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental, mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto.
A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de "duplos critérios" pelas críticas a Moscovo.
O partido que apoia o regime de Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram hoje as autoridades eleitorais russas.
O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP.
Os resultados de mais de 95% das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58% dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central.
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