FMI alerta para riscos da IA e dívidas soberanas elevadas à estabilidade financeira
A forte inclinação do mercado para financiar projetos de inteligência artificial (IA) e a importância crescente deste sector na economia global podem transformar-se em fontes de risco sistémico para o sistema financeiro global, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como a trajetória crescente de dívida soberana, que chega a valores cada vez menos sustentáveis.
Estes são os dois principais alertas da instituição liderada por Kristalina Georgieva na sua atualização mais recente do relatório de Estabilidade Financeira Global divulgado esta terça-feira em Banguecoque, na Tailândia.
O Fundo fala num sistema financeiro “resistente no meio de crescimento económico sólido e fortes lucros empresariais”, mas identifica vulnerabilidades que se podem transformar em crises de maior escala.
À cabeça, uma correção abrupta e forte no mercado bolsista do segmento de IA surge como um dos principais riscos, sobretudo dado o crescente peso destas tecnológicas nos índices e os seus crescentes e elevados rácios de endividamento.
O documento refere que, “apesar de as empresas nucleares de IA serem lucrativas até agora, […] investimentos ou rentabilidade mais fracos ou menos duradouros podem desencadear uma correção nos ativos relacionados com IA, exacerbada pela alavancagem crescente, exposições concentradas e arranjos financeiros circulares”.
Este financiamento circular significa que, desde 2023, apenas 14 operações publicamente conhecidas representam cerca de 300 mil milhões de dólares (268,45 mil milhões de euros) em investimento agregado das hyperscalers (as empresas com maior quota de mercado no sector) em “empresas financeiramente mais fracas, suplementado por 650 mil milhões de dólares (581,65 mil milhões de euros) de dívida, em troca de 1,4 biliões (1,25 biliões de euros) de receita futura […] com uma concentração significativa de promessas de investimento e receita numa mão cheia de investidos”.
Isto, combinado com a dívida crescente do sector e a inclinação também cada vez maior de vários investidores institucionais, com os fundos de investimento à cabeça, por posições no mercado de IA torna o risco de contágio maior.
Por outro lado, a dívida soberana e o disparo nas suas yields poderão representar um risco ainda maior.
Caso a inflação não recue, o rollover de dívida de inúmeros Estados irá agravar os seus custos de financiamento, agravando ainda mais o peso do serviço da dívida em orçamentos já esticados e sem margem para acomodar mais despesa.
Neste caso, a origem do problema está claramente identificada pelo FMI: os elevados rácios de dívida pública e a falta de vontade ou capacidade dos governos nacionais em retificarem esta evolução.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.