Nem a guerra travou as bolsas mas o FMI antecipa o choque
Os mercados financeiros atravessaram uma guerra no Médio Oriente, a subida de juros em 14 dos 33 principais bancos centrais desde o segundo trimestre e a incerteza política sem perderem terreno, estando inclusive a negociar em máximos históricos, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) identifica três riscos que podem alterar esse quadro.
“Os mercados financeiros mantiveram-se resilientes desde o Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global de abril de 2026, mas os riscos para a estabilidade financeira estão elevados”, alerta o Fundo no capítulo 1 do “Global Financial Stability Report”, intitulado “Por baixo da resiliência” e divulgado esta terça-feira.
Os três riscos são uma correção nos ativos ligados à inteligência artificial (IA), uma subida acentuada das taxas da dívida pública e os ciberataques , e o primeiro nasce no setor que mais tem sustentado as cotações.
Expectativas em redor da IA: De acordo com os analistas do FMI, a despesa em centros de dados e semicondutores ajudou a compensar o impacto da guerra e da incerteza política, e as empresas no centro da cadeia da IA registaram um crescimento excecional dos lucros.
Mas “um investimento e uma rentabilidade mais fracos ou menos duradouros na IA poderiam constituir um choque que desencadeie uma correção do mercado”, avisa o FMI, que cita o cenário central do World Economic Outlook , também divulgado esta terça-feira, que aponta para que a reversão destes investimentos reduz até 0,4% o PIB mundial, 1,3% o investimento e 0,6% o consumo até 2028.
E o grande problema é que parte deste investimento foi financiada com dívida, o que pode agravar uma eventual correção.
Segundo o FMI, desde 2024 que as grandes operadoras de centros de dados passaram de menos de 1% para 10% das obrigações de empresas com boa notação emitidas no mundo, e as ações destas empresas subiram de 16% para 28% na carteira dos fundos cotados alavancados.
Se os preços caírem, os investidores podem ser forçados a vender, o que acentua a queda.
Pressão sobre as obrigações do Estado: A yield das obrigações de vários países subiram desde o início da guerra no Irão, empurradas pela expectativa de juros de curto prazo mais altos e por prémios de prazo mais elevados – a compensação que os investidores exigem para deter dívida de maturidade mais longa.
Esses prémios estão no limite superior dos intervalos históricos, sobretudo nas economias avançadas, e o FMI considera que o risco piorou desde abril, com a dívida pública elevada e o risco de refinanciamento por resolver.
Algumas fragilidades aliviaram, porque as posições alavancadas dos hedge funds em dívida pública diminuíram em parte sem pressão nos mercados de reporte e a liquidez melhorou na área do euro.
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