Licença de condução de velocípedes
Conheci recentemente um cidadão português, de idade avançada, que, enquanto esperávamos pela prática de um ato notarial, me foi relatando algumas das suas experiências de vida.
Marcou-me, especialmente, que tendo emigrado clandestinamente para França, a “salto” como se dizia naqueles famélicos anos 50, ali tivesse chegado munido de um único documento, a licença de condução de velocípedes emitida pela Câmara Municipal de Soure.
Documento que se lhe viria a revelar essencial.
Único suporte da sua legalização naquele país e com base no qual obteve a Autorização de Residência em França.
Tudo me foi contado sem ressentimentos e, até, com alguma bonomia.
As angústias, os medos, a solidão, as dificuldades, as lágrimas, tudo isso tinha ficado perdido na remota memória da juventude.
Vivemos, hoje, um tempo diferente.
Somos cidadãos documentados e já não emigramos “a salto”.
Mas, continuamos a emigrar.
Dizem os organismos oficiais que ao ritmo “estabilizado” de 70 mil portugueses em cada ano.
Não serão as sangrias do século XX – emigração em massa e Guerra Colonial –, mas, um país que vê nascer 85 mil bebés por ano (2024) e que vê partir, todos os anos, 70 mil portugueses, parece estar com as preocupações erradas.
E, também, com a atitude errada.
Nestes tempos em que as referências vão desaparecendo, a Igreja Católica, pela voz dos seus mais relevantes dignitários, tem sido um farol na afirmação da dignidade da pessoa humana e da fraternidade.
Também por isso, devemos atentar nas palavras do Núncio Apostólico em Portugal: “Acho que um cristão não tem direito a ser xenófobo, a dizer mal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.