“O Dão não tem limites”: vindima antecipada para se adaptar ao clima
Demarcada em 1908, a região vitivinícola do Dão é uma das referências históricas do vinho português.
Os solos predominantemente graníticos, a altitude e a proteção das serras contribuíram para consolidar uma identidade associada à frescura, à elegância e à capacidade de envelhecimento dos vinhos.
Mais de um século depois da demarcação, a região enfrenta novas condições de produção, num contexto de alterações climáticas que estão a antecipar as vindimas e a obrigar os produtores a adaptar as práticas na vinha e na adega.
Este ano, a mudança voltou a fazer-se sentir de forma particularmente evidente, com a colheita a começar no final de agosto.
“Este ano foi um caso extremo”, afirma ao 24notícias Beatriz Cabral de Almeida, enóloga da Quinta dos Carvalhais, ao descrever a evolução do calendário das vindimas.
A especialista considera que a antecipação da colheita tem permitido vindimar uvas mais sãs e evitar os riscos associados à precipitação do início do outono, contribuindo para uma maior consistência na produção.
Quando chovia dois ou três dias, era benéfico porque funcionava como uma rega após um verão seco.
Contudo, quando chovia vinte dias seguidos, era uma catástrofe: a podridão instalava-se e as uvas já não chegavam em condições à adega A alteração do calendário das vindimas, aliás, é uma das mudanças mais evidentes identificadas por Beatriz Cabral de Almeida.
Tradicionalmente, os trabalhos começavam entre 13 e 20 de setembro, prolongando-se frequentemente até outubro.
Nos últimos cinco ou seis anos, porém, a colheita tem sido antecipada para os últimos dias de agosto.
“Há cerca de cinco ou seis anos, e este ano foi um caso extremo, que começamos a vindima nos últimos dias de agosto”, afirma a enóloga.
A mudança está relacionada com a evolução das condições climáticas e com a necessidade de colher as uvas no momento adequado, preservando a acidez e garantindo a sua sanidade.
A antecipação permite também reduzir a exposição à chuva, que, em anos anteriores, chegou a comprometer parte da produção.
“Quando chovia dois ou três dias, era benéfico porque funcionava como uma rega após um verão seco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.