China faz recall de 4.300.000 de carros. Europa ainda estuda
Os puxadores retrácteis com accionamento eléctrico começaram por ser louvados quando surgiram, primeiro por serem mais aerodinâmicos quando fechados, para depois serem criticados por, em algumas condições, não permitirem a abertura das portas, bloqueando os ocupantes no seu interior. Isto é grave em caso de acidente grave, ou se o veículo ficar parcial ou totalmente submerso, com os passageiros presos no seu interior. Este foi o motivo que deu origem ao recall chinês, que chamou à oficina 4,3 milhões de veículos, dos quais 2,98 milhões são Tesla Model 3 e Model Y produzidos na China, mas que envolveu igualmente veículos com este tipo de portas propostos de 11 outros fabricantes.
Ninguém discute as vantagens das pegas de portas retrácteis, que obviamente são elegantes, “clean”, aerodinâmicas e de aspecto futurista, mas as vantagens terminam quando em causa está a possibilidade de sobrevivência de clientes que, após um acidente violento ou um despiste que acabe com o veículo submerso em água, não permita que os ocupantes abram as portas e abandonem o habitáculo, salvando a própria vida.
China bane fechos de porta estilo Tesla. Europa e EUA (ainda) analisam
O que a China deseja com este mega recall é que os construtores que desenhem as pegas de porta de forma a que possam ser abertas a partir do interior, pelos ocupantes que estão aprisionados dentro dos carros quando falta a energia, ou os que continuam fechados dentro dos seus veículos quando o carro vai parar ao fundo do rio, lago, oceano ou apenas de um curso de água que o deixe submerso, sem que as portas possam ser abertas do interior ou do exterior, por serem eléctricas, se o veículo não tiver energia na sua bateria de 12V.
Tanto a partir do exterior como do interior, as portas com abertura eléctrica são perigosas quando, após um acidente, deixa de haver energia no carro
Enquanto a China força um recall , devido às mortes que entretanto aconteceram no país, a Europa continua a assobiar para o lado. Até a RDK, o regulador estatal dos Países Baixos que despontou para o estrelato depois de ter testado o FSD (o full self driving da Tesla) durante 18 meses antes de o aprovar para utilização “supervisionada” nas vias públicas neerlandesas. Simultaneamente, a RDK aconselhou os outros países europeus (partilhando com eles os seus estudos e análises) para a aprovação do FSD.
O RDK continua a afirmar que está a analisar todos os dados de acidentes que envolveram veículos com pegas de porta retrácteis eléctricas, anunciando na passada quarta-feira que que não foi lançado nenhum recall devido a este tipo de portas, que podem não abrir em caso de emergência. E este “no recall” é válido para os modelos da Tesla, bem como para qualquer outro dos 11 construtores que recorram a esta tecnologia de comando de portas, ao contrário do que aconteceu na China.
Independentemente do resultado das investigações da RDK, a China já decidiu que a partir de 2027 não haverá veículos comercializados com portas retrácteis que não seja possível abrir por fora ou por dentro, mesmo sem energia na bateria.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.