Sobre doenças venéreas (I)
Na Mitologia da Antiguidade Romana, Vénus era a deusa do amor, da beleza, do desejo e do sexo.
Razão que viria a explicar a designação de doenças venéreas a todas as infeções sexualmente transmitidas.
Começo pela sífilis, a mais temida dessas doenças, que só viria a ter tratamento eficaz (cura) após a introdução da penicilina, a partir de 1945.
Anteriormente, constituía um problema social de dimensão extraordinária, não só pela imensidão das pessoas infetadas e pela gravidade da evolução da doença, mas também pelo estigma associado e pelas repercussões familiares que eram, quase sempre, dramáticas (em certo sentido comparáveis à sida dos anos 80).
A sífilis era, então, incurável.
O risco em adquirir a infeção por via sexual era elevado quando um dos parceiros estava infetado.
Tanto a literatura como o cinema retrataram com notável realismo esse tempo, nomeadamente a inesquecível obra da escritora dinamarquesa Karen Blixen, África Minha , reproduzida, em 1985, no filme de Sidney Pollack.
A esse propósito, lembro-me de um professor da Faculdade de Medicina ter iniciado a lição sobre sífilis a afirmar que, antes da comercialização da penicilina, era frequente os maridos “oferecerem” a doença à noiva na noite de casamento.
Prontamente, acrescentava que pretendia apenas ilustrar a alta prevalência da infeção naquela época, particularmente em homens que tinham vida libertina e de boémia...
A história da sífilis na Europa remonta ao final do século XV.
Está ligada aos itinerários dos movimentos dos marinheiros que atravessaram o Atlântico e dos soldados dos Exércitos das grandes potências europeias.
Em Nápoles, o início explosivo da epidemia (1495) está bem documentado.
A natureza repentina como a sífilis ali surgiu, a seguir ao regresso de Cristóvão Colombo das Américas, explicaria, desde cedo, a sua origem.
Logo depois, seria disseminada pelas Invasões Francesas.
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