Críticas às fragatas? CEMA lamenta falta de "ponderação e bom senso"
"E u gostaria de ter visto mais ponderação, bom senso e que muitas das pessoas que falaram sobre isto, especialistas, pseudoespecialistas, se documentassem antes de falar", defendeu o almirante Jorge Nobre de Sousa, em entrevista à agência Lusa, no Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Tróia.
Em causa está a aquisição de três fragatas de nova geração à italiana Fincantieri, no âmbito dos empréstimos europeus do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE), que será tema da audição do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, hoje à tarde, no parlamento.
Com um valor total de 5,8 mil milhões de euros, o SAFE é um dos maiores investimentos do país em Defesa, com uma grande fatia deste investimento, 3,9 mil milhões, destinado às fragatas FREMM EVO. Este verão, o negócio gerou controvérsia, com partidos como o Chega ou o PS a acusar o Governo de opacidade.
O almirante Nobre de Sousa rejeitou comentar "o patamar político", mas considerou que "seria muito interessante que toda a gente que discute este assunto, no mínimo, se documentasse um pouco", apelando a uma maior "honestidade intelectual".
O chefe militar lembrou que o instrumento SAFE foi aprovado em maio na União Europeia - onde Portugal "tem representantes nacionais" - e que os Estados-membros "teriam que manifestar as suas intenções de aderir ao mecanismo até julho".
A "complexidade de um processo destes", salientou, "ver-se-ia muito dificultada se tivéssemos que andar constantemente em consultas e em mecanismos de validação".
O almirante notou que muitas vezes a UE é criticada por "complexificar as coisas e não atuar" mas, neste caso, encontrou um processo de contratação menos moroso e "se alguém tem que ser questionado sobre as regras é a UE".
Nobre de Sousa lembrou ainda que em fevereiro foi chamado à comissão parlamentar de Defesa para uma audição à porta fechada para esclarecer os deputados sobre o SAFE.
Apesar de considerar positivo que se debata o tema publicamente, o almirante notou que alguns comentários "vulnerabilizaram, de alguma forma, a margem negocial do Estado português".
"Eu desconhecia que houvesse tantos especialistas em fragatas neste país, como tenho visto ultimamente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.