Manifesto em defesa do numerário é entregue esta quarta-feira na Assembleia da República
A Associação Denária, presidida por Pedro da Cunha, vai apresentar esta quarta-feira, 16 de setembro, aos deputados da Assembleia da República, um manifesto estruturado em defesa do numerário e da preservação dos meios de pagamento analógicos.
Num período marcado por uma transição acelerada para o digital em quase todos os setores da economia, a associação pretende colocar no centro do debate político os riscos associados à exclusão financeira, à perda de privacidade e à vulnerabilidade tecnológica, sublinhando que “os pagamentos analógicos ainda são muito importantes” e possuem “caraterísticas únicas que o digital não tem”, sublinha o presidente da instituição em conversa com o Diário de Notícias.
De acordo com a associação, grande parte da atenção pública e mediática foca-se exclusivamente na inovação digital, esquecendo que o setor analógico também evolui constantemente.
No entanto, “nunca ninguém se lembra do numerário”, transformando-o no verdadeiro “parente pobre” das discussões económicas, lamenta o responsável.
O manifesto alerta, entre outras coisas que o responsável se escusou a revelar antes da apresentação, para uma tendência crescente no setor comercial: “O facto de muito comércio - ou pelo menos um número crescente de comércio recusar pagamentos em numerário”.
Esta prática gera uma exclusão preocupante de cidadãos que não possuem alternativas de pagamento eletrónico.
Conforme sublinha Pedro da Cunha, recordando que em Portugal ainda há cerca de 10% de cidadãos que não têm conta bancária, esta situação “exclui algumas pessoas que não têm outra forma de pagar”.
A associação aponta ainda uma lacuna evidente na legislação nacional: “A lei portuguesa tem um vácuo – diz que é proibido recusar pagamentos em numerário, mas não acontece nada a quem não cumpre”, lamenta.
Soberania, Privacidade e Resiliência Tecnológica Para a Associação Denária, o numerário deve ser encarado diariamente como a base estrutural da economia.
Entre as suas principais vantagens face ao ecossistema digital destacam-se a fiabilidade e a segurança institucional.
A este respeito, o presidente da associação recorda episódios recentes, como o que aconteceu em abril do ano passado: “Vimos com o apagão que o numerário é mais resiliente, mais fiável.
Só que 15 dias depois já toda a gente se tinha esquecido…” O debate em torno do dinheiro físico atravessa transversalmente o espetro político e toca em valores fundamentais da sociedade democrática.
Na visão de Pedro da Cunha, “numa sociedade em que não há numerário, não há democracia, parece que a pessoa está sempre a ser vigiada”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.