ONU: Período de eleições no Sudão do Sul pode aumentar risco de violência
No entanto, o Sudão do Sul tem assistido a uma intensificação da violência este ano, principalmente entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as do seu rival histórico, Riek Machar, atualmente preso.
"Eleições organizadas sem uma estratégia de consolidação democrática nem de prevenção das fraturas nacionais podem, pelo contrário, alimentar o ressurgimento do conflito e aumentar o risco de crimes atrozes", alerta, num comunicado, a Comissão de Direitos Humanos do Sudão do Sul, criada pela ONU.
À medida que as eleições se aproximam, "múltiplos fatores de risco de crimes atrozes", adverte.
O Sudão do Sul declarou formalmente a sua independência a 09 de julho de 2011, após um referendo sobre a autodeterminação, mas a euforia do seu nascimento como nação foi interrompida apenas dois anos depois, em 2013, por uma sangrenta guerra civil devido à rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, de etnia Dinka (maioritária no país), e o então vice-Presidente, Riek Machar, de etnia Nuer.
Este conflito, que rapidamente assumiu conotações étnicas, provocou centenas de milhares de mortos e quase dois milhões de deslocados internos, mergulhando a economia do Sudão do Sul em colapso, apesar das vastas reservas de petróleo.
Embora em 2018 as fações rivais tenham assinado o Acordo de Paz Revitalizado, que levou a um frágil Governo de unidade nacional, a implementação de certos pontos-chave - como a unificação das forças armadas e a elaboração de uma constituição - sofreu constantes atrasos.
Esta paralisia institucional e a persistência da violência intercomunitária mantêm o país em estado de alerta, estando as eleições gerais marcadas agora para 22 de dezembro, depois de terem sido adiadas por diversas vezes devido à falta de garantias de segurança.
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