Seul contesta estimativa de Trump: Pyongyang terá 120 armas nucleares
"E m termos gerais, estimamos que [o número de armas nucleares na posse da Coreia do Norte] se situe entre 80 e 120, mas é bastante difícil precisar o número exato", afirmou o ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Kyu Baek, numa audiência perante a Comissão de Defesa da Assembleia Nacional.
O ministro admitiu uma divergência com Washington relativamente à estimativa do arsenal nuclear norte-coreano, afirmando que "o número parece ligeiramente diferente" daquele avançado na véspera por Trump, e precisando que os cálculos de Seul se baseiam em "avaliações realizadas por instituições de investigação" sul-coreanas.
A questão nuclear é um tema extremamente delicado na Coreia do Sul, uma vez que o país não reconhece formalmente o vizinho do norte como uma potência nuclear e são raras as referências, por parte da classe dirigente, à capacidade nuclear ou ao arsenal de Pyongyang.
O ministro da Defesa sul-coreano reiterou que a posição de Seul é a de não desenvolver armas nucleares nem aceitar a implantação de armas nucleares táticas dos Estados Unidos, admitindo que Seul conta com o "guarda-chuva nuclear" dos Estados Unidos.
Os diferentes pontos de vista sobre o arsenal nuclear norte-coreano expressas por Coreia do Sul e Estados Unidos ocorrem num momento em que as relações entre estes dois tradicionais aliados parecem abaladas face aos sinais de aproximação a Pyongyang dados pela administração norte-americana.
"Sim, vou reunir-me com ele", disse o Presidente dos Estados Unidos, sem precisar a data nem o local do encontro, que, a concretizar-se, será o primeiro entre os dois líderes desde o regresso do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025.
A imprensa norte-americana noticiou que Trump está a pressionar os seus conselheiros para organizarem uma nova cimeira com Kim Jong-un durante uma viagem à Ásia prevista para o outono.
Nas mesmas declarações à imprensa na Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano afirmou que a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares, avançando uma estimativa invulgarmente precisa sobre o arsenal nuclear de Pyongyang.
"Isto nunca devia ter acontecido. (...) Se eu fosse Presidente, não o teria permitido", declarou Trump, reiterando, contudo, que se dá "muito bem" com Kim Jong-un.
Trump afirmou esta semana ter trocado recentemente mensagens com o dirigente norte-coreano, classificando os contactos como "muito positivos", embora a influente irmã de Kim, Kim Yo-jong, tenha declarado desconhecer essas comunicações.
Hoje, a Coreia do Sul denunciou que a vizinha do Norte lançou cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance a partir da região de Pyongyang, até ao mar do Japão.
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