Anton nasceu na Ucrânia, mas lutou pela Rússia: "Defender a minha terra"
A nton, um soldado ucraniano, decidiu lutar pela Rússia e ir para a guerra contra o seu próprio país no início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O jovem soldado tinha apenas 10 anos quando a região do Donbass, onde vivia, no leste da Ucrânia, foi tomada pela Rússia, em 2014. Passados oito anos, em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, iniciou o que chamou de "operação militar especial" na Ucrânia e, já com 18 anos, Anton decidiu alistar-se imediatamente e lutar pela Rússia.
"Não me arrependo da minha escolha. Fui defender a minha terra", garantiu Anton em entrevista à BBC, acrescentando que outros amigos também decidiram alistar-se. "Depois comecei a receber mensagens de texto. Mortos, mortos, mortos."
Quando são capturados a lutar pela Rússia, os soldados ucranianos são julgados por traição, mas colocados num campo de prisioneiros ao lado de russos. No entanto, Anton não se considera certamente um traidor.
"Considero-me russo. Um país não significa nada, o que importa é a nacionalidade. Toda a minha família é da Rússia. Todas as minhas raízes são de lá", contou.
O jovem encontra-se detido num campo de prisioneiros de guerra, no oeste da Ucrânia, juntamente com outros homens capturados a lutar pela Rússia. Entre os soldados estão homens vindos do leste da Ucrânia ocupado, bem como de algumas das grandes cidades russas.
Também Sergei nasceu na cidade ucraniana de Luhansk, mas diz ser russo como os seus pais, que se mudaram para o Donbas quando ambos os países faziam parte da União Soviética.
Entrou para o exército russo há mais de 10 anos para "defender a pátria", mas garantiu que se irá reformar quando for libertado. "Já fiz a minha parte", sublinhou.
Entre os prisioneiros de guerra naquele campo no oeste da Ucrânia estão homens que se alistaram para ganhar dinheiro e outros, condenados por crimes de tráfico de droga ou homicídio, que pretendiam evitar uma pena de prisão.
Oficialmente, Kyiv ainda considera as pessoas do Donbass como ucranianos e trata o controlo russo sobre as suas regiões como temporário. Mas, explicou Petro Yatsenko, do quartel-general de coordenação de prisioneiros de guerra da Ucrânia, a realidade no terreno é mais complexa.
"São muito pró-Rússia e a sua identidade nacional é muito confusa", destacou.
Sublinhe-se que, mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, os ataques intensificaram-se de ambos os lados da frente de combate, provocando um número crescente de vítimas civis.
A presidente da Comissão Europeia considerou hoje que a Rússia está a atacar civis porque "está a perder a guerra que começou" e adiantou estar a coordenar com os Estados-membros o reforço das capacidades antibalísticas ucranianas.
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