Novobanco põe à venda créditos, imóveis e empresas de Vieira para recuperar dívidas de 400 milhões
O antigo presidente do Benfica à chegada ao Supremo Tribunal de Justiça para o início do julgamento do “Processo Lex”, em Lisboa, 29 de outubro de 2025.
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA O Novobanco tem em curso uma ampla operação para se desfazer de todos os créditos, imóveis e sociedades imobiliárias de Luís Filipe Vieira, cujo grupo económico deixou um rasto de dívidas de mais de 400 milhões de euros por pagar ao banco, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO junto de fontes do mercado.
A instituição liderada por Mark Bourke — e agora nas mãos dos franceses do BPCE — colocou à venda um conjunto de carteiras de ativos com toda a exposição problemática ligada ao antigo presidente do Benfica no âmbito do chamado “Project Horizon”, que está a ser conduzido pela KPMG.
Os investidores já estão a ser sondados e terão de apresentar propostas vinculativas algures até outubro (as ofertas não vinculativas estarão agora a ser submetidas), com a consultora a apontar a conclusão do processo ainda no decorrer deste ano.
NB ficou com empresas de Vieira mas já quer livrar-se delas Ler Mais O projeto inclui terrenos (sem licenciamento) nos arredores de Lisboa e também no Algarve , o edifício de escritórios em Maputo , as participações nas sociedades Promovalor e Inland que o banco passou a controlar este ano e ainda as unidades de participação do Fundo de Investimento Alternativo Especial (FIAE) que ficou a gerir o vasto património imobiliário de Vieira na sequência de uma reestruturação de parte da dívida , em 2016.
O ECO contactou o Novobanco sobre esta operação, mas não obteve uma resposta.
Há anos que o banco tenta recuperar, por várias vias, dívidas que ascendem a mais de 400 milhões de euros que o grupo de Vieira acumulou desde os tempos do BES e chegaram a atingir os 466 milhões de euros em 2015.
Agora tenta uma solução mais estrutural para o problema , mas ainda não é certo qual o desfecho da operação.
Tendo em conta o património existente, o Novobanco só deverá conseguir recuperar uma pequena parte dessas dívidas, as quais já foram dadas como perdidas pelo banco e foram cobertas pelo Fundo de Resolução ao abrigo do mecanismo de capital contingente do tempo da Lone Star.
Quanto valem a Promovalor e Inland? Entre os ativos que o Novobanco pôs à venda estão as participações na Promovalor e na Inland, duas sociedades imobiliárias de Luís Filipe Vieira com dívidas de 350 milhões de euros e que foram parar às mãos do banco no início deste ano, na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
Aquele tribunal confirmou em fevereiro a legalidade da conversão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) no valor de 160 milhões de euros emitidos pelas duas sociedades e que haviam sido subscritos pelo BES, ainda em 2011.
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