Seg. Social averigua alegadas irregularidades em lar de Viana do Castelo
"O processo está em fase de instrução, estando a equipa de fiscalização a realizar diligências para a averiguação dos factos denunciados, que não se circunscrevem à recolha de documentação", refere o ISS.
A resposta por escrito do ISS a um pedido de esclarecimento surge após uma participação feita pelo ex-presidente do conselho fiscal do Centro Paroquial e Social de Barroselas.
Em declarações à Lusa, Ricardo Barbosa, exonerado de funções na última segunda-feira, disse hoje ter "fortes indícios de gestão danosa, assédio laboral, contratação fraudulenta, falta de funcionários, insuficiência de prestação de cuidados adequados aos idosos e violação consecutiva dos estatutos da instituição", presidida pelo pároco da freguesia.
Ricardo Barbosa adiantou ter "dificuldades extremas em perceber como é que, desde 2018 até à data, foram consumidos mais de 833 mil euros do dinheiro que a instituição tinha no banco, incluindo a alienação, em 2024, de um apartamento T2 por 125 mil euros, valor consideravelmente abaixo do mercado", afirmou.
"Atualmente, a instituição está numa situação extremamente delicada", alertou.
Além da participação ao Instituto da Segurança Social (ISS) e à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), o empresário formalizou uma participação ao Ministério Público (MP).
Na denúncia apresentada ao MP, Ricardo Barbosa explica que "a instituição presta apoio a mais de 80 pessoas idosas através das respostas de Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, servidas por uma cozinha comum".
"Durante o exercício das minhas funções, presenciei situações em que o jantar disponibilizado consistia apenas em sopa, prática que, segundo o que observei, abrangia as diferentes valências. Solicito que sejam confrontadas as ementas com as refeições efetivamente fornecidas, os serviços contratados e as necessidades dos utentes", lê-se.
Sobre o assédio laboral, refere ter recebido relatos de pressões sobre trabalhadores, associados a saídas da instituição e a situações de sofrimento psicológico, cuja natureza e circunstâncias deverão ser esclarecidas através das pessoas envolvidas.
"Foi-me também transmitido que questionários internos aos trabalhadores teriam sido destruídos por conterem apreciações desfavoráveis e que teriam existido pressões para identificar os autores das respostas através das respetivas caligrafias", indicou.
A "Segurança Social realizou, no passado dia 03, uma ação de fiscalização que abrangia órgãos sociais e atas, que não existem desde há seis meses, pessoal, funcionamento das respostas sociais, segurança das instalações, contabilidade, património e contas bancárias, entre outros elementos.
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