Migrantes voltam a ocupar praia de El Trampolín em Ceuta após operação de limpeza
A praia de El Trampolín, no enclave espanhol de Ceuta, voltou a ser ocupada por migrantes no final da manhã, logo após a conclusão dos trabalhos de limpeza e desinfeção levados a cabo pelos serviços municipais.
Ao início do dia, os migrantes que tinham pernoitado no local foram agrupados entre um quebra-mar e o muro da Estação de Dessalinização de Ceuta, cumprindo a condição imposta pela cidade autónoma para garantir a segurança das equipas de limpeza.
A operação decorreu sob escolta policial, permitindo a remoção de resíduos acumulados durante semanas de ocupação.
Operações de limpeza mobilizaram dezenas de operacionais.
Durante os trabalhos, segundo as agências internacionais, registou-se a chegada contínua de mais migrantes ao local, muitos deles munidos de sacos de comida distribuídos por organizações não governamentais (ONG).
Assim que a intervenção da Direção-Geral do Ambiente e Serviços Urbanos foi dada por terminada, o grupo regressou ao areal, reinstalando tendas e erguendo novos abrigos com recurso a materiais improvisados encontrados na área.
Migrantes foram contidos pela polícia numa zona enquanto operações de limpeza decorriam.
Esta retoma dos trabalhos de higienização surge após a suspensão da operação na quinta-feira, dia em que dezenas de pessoas transferidas tinham voltado para recolher pertences pessoais, inviabilizando a continuidade do serviço por motivos de segurança.
Líder de Ceuta: ”A este ritmo os migrantes não vão sair nem daqui a um ano” A limpeza fazia parte de um plano mais alargado para restabelecer as condições sanitárias e de usufruto público da costa, iniciado após a retirada a pé de mais de 1200 pessoas escoltadas pela polícia espanhola para centros de acolhimento temporário em Loma Margarita, El Embolsamiento e Loma Colmenar.
Porta-vozes de organizações no terreno indicam que os migrantes permanecerão em El Trampolín enquanto não existirem alternativas de alojamento.
A situação insere-se no quadro de pressão migratória no território de 80.000 habitantes, onde chegaram a entrar cerca de 72.000 pessoas num único dia no final de julho, estimando-se que entre 3.000 e 5.000 continuem no enclave.
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