Líder do Qatar visita Teerão e insiste em saída diplomática para a guerra
D urante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, o líder do Qatar, que tem atuado com um dos países mediadores entre o Irão e os Estados Unidos, "destacou a importância de prosseguir os esforços diplomáticos para reduzir as tensões e resolver as disputas através do diálogo", segundo um comunicado da diplomacia de Doha.
Salientou também "a necessidade de se respeitar a soberania dos países vizinhos e a liberdade de navegação", numa referência ao bloqueio iraniano no estreito de Ormuz, como resposta à ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.
Desde então, o Irão realizou também ataques aéreos contra infraestruturas energéticas dos países vizinhos do Golfo, incluindo o Qatar.
Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, está no centro do aumento de tensão nos últimos dias entre Teerão e Washington, que por sua vez mantêm um cerco naval aos portos da República Islâmica.
Os dirigentes do Qatar e Irão discutiram também "a proposta de estrutura provisória" para o estabelecimento de um corredor marítimo em Ormuz e um "projeto conjunto" para a desminagem do estreito.
O encontro ocorre um dia depois de Irão e Omã, dois países do Golfo situados nas duas margens do estreito de Ormuz, anunciarem que estão perto de um acordo para estabelecer um corredor marítimo temporário, que assegure a passagem segura da navegação comercial.
Assim que o acordo provisório estiver concluído, Teerão e Mascate terão entre 30 e 60 dias para negociar uma rota permanente, segundo o vice-ministro dos Negócios estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, que excluiu a presença em Ormuz de qualquer embarcação militar num futuro entendimento.
De acordo com a Guarda Revolucionária iraniana, envolvida nestas negociações, foram alcançados "alguns acordos" com Omã "relativos à quota de cada país nas águas do estreito" e "às suas receitas".
Os Estados Unidos já avisaram que se opõem a partes do acordo em desenvolvimento, incluindo a gestão conjunta da rota de saída da passagem marítima, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou Omã com bombardeamentos caso o sultanato se colocasse "no caminho" dos interesses de Washington.
Na segunda-feira, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, apresentou a operação "Pária Económico" contra a República Islâmica, que visa sancionar qualquer pessoa ou entidade que com ela mantenha relações comerciais.
Em reação, as autoridades de Teerão consideraram que a guerra económica anunciada por Washington está "destinada ao fracasso", e afirmaram que não vai mudar o rumo da República Islâmica.
Já hoje, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à cadeia Fox New que os Estados Unidos não estão atualmente envolvidos em negociações ativas com o Irão e "esta situação vai persistir até que o Presidente [Trump] acredite que o outro lado está disposto a sentar-se à mesa das negociações".
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unido
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