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E se o Rei da Noruega fosse português?

Observador ·
E se o Rei da Noruega fosse português?

A Noruega foi recentemente notícia por duas tristes razões: os falecimentos do Rei Harald V, a 28-8-2026 e, a 11-9-2026, o de sua irmã, a Princesa Astrid.

Há uma muito remota relação da Noruega com Portugal. Com efeito, Eric II da Noruega (1268-1299) descendia do primeiro monarca português, pois sua mãe, Ingeborg, era filha de Eric IV da Dinamarca, o qual era filho de Valdemar II e de D. Berengária, filha de el-Rei D. Sancho I de Portugal e irmã das Beatas Teresa, Sancha e Mafalda. Este casamento de uma neta de D. Afonso Henriques com um rei da Dinamarca é a excepção que confirma a regra dos casamentos reais portugueses medievais que, em geral, ocorriam no âmbito das monarquias peninsulares.

A Eric II sucedeu o seu irmão Haakon V, cuja filha Ingeborg casou com o Príncipe Eric da Suécia, dos quais nasceu Magno IV da Suécia e VII da Noruega, que uniu na sua pessoa as duas coroas. Pela ‘união pessoal’, cada reino mantinha a sua independência, embora partilhassem o mesmo monarca, como aconteceu com Portugal e Castela durante a dominação filipina. Aquela união foi efémera, pois, desde 1380, a Noruega e a Dinamarca tiveram um rei comum, intensificando-se a união em 1536-1537.

A 14-1-1814, pelo tratado de Kiel, a Dinamarca cedeu à Suécia a Noruega, que, a 17-5 desse ano, aprovou a Constituição como reino independente. Da guerra com a Suécia resultou a união pessoal com essa Coroa, mantendo a sua Constituição. A 7-6-1905, o Storting, o parlamento norueguês, aprovou por unanimidade uma resolução em virtude da qual Óscar II da Suécia deixava de ser o soberano da Noruega. Por esse motivo, o referido monarca, descendente de um general francês do exército napoleónico, renunciou, por si e pelos seus descendentes, à Coroa norueguesa, a 26-10-1905.

Em substituição do rei sueco, o Storting elegeu, a 18-11-1905, como monarca, o Príncipe Christian Frederick da Dinamarca, filho de Frederico VIII e da Rainha Luísa da Suécia e Noruega, o qual, como soberano norueguês, se intitulou Haakon VII. Portanto, data de 1905 a actual Família Real norueguesa, uma das mais recentes no continente europeu, embora descenda dos antigos reis escandinavos.

Durante o reinado de Haakon VII ocorreram as duas Guerras Mundiais. Se, na primeira, a Noruega conseguiu manter a sua neutralidade, o mesmo não aconteceu na segunda, pois o país foi invadido e ocupado pelo exército nacional-socialista, que estabeleceu um Governo fantoche. Haakon VII não pactuou com o novo regime e partiu, com o Governo legítimo, para o exílio em Londres, de onde apoiou a resistência. Esta atitude de grande dignidade prestigiou a instituição real e fortaleceu a sua relação com o povo norueguês, que viu no monarca um exemplo de patriotismo e de integridade moral.

Haakon VII casou com sua prima direita Maud, filha de Eduardo VII da Grã-Bretanha – o do homónimo parque lisboeta – e de Alexandra da Dinamarca, a qual era tia paterna de seu marido.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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