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Ex-gerente de clínica de fertilidade falida culpa investidores por fecho

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Ex-gerente de clínica de fertilidade falida culpa investidores por fecho

A ex-gerente da Ovom Care, clínica de fertilidade de Cascais que fechou portas de forma abrupta, no final de agosto, deixando várias famílias em desespero, reagiu ao encerramento repentino da mesma na sua página de Linkedin .

Cristina Hickman, que é embriologista, foi gerente da Ovom Care durante algum tempo, mas saiu em novembro de 2024, em conflito com os administradores, gestores de capital de risco, a quem agora responsabiliza pelo "colapso da Ovom Care".

Para a médica, "o capital de risco pode transformar os cuidados de fertilidade. Mas, sem liderança clínica experiente, governança responsável e uma abordagem que priorize o paciente, são os pacientes que, em última análise, arcam com o risco".

"A Ovom Care selecionou a Ananda Impact Ventures e a Alpha Intelligence Capital como investidoras-anjo, com a Merantix Capital como investidora pré-anjo e incubadora. Com o tempo, porém, surgiram diferenças fundamentais de valores em relação à forma como eu, como profissional da saúde, acreditava que a empresa deveria ser administrada. Lutei arduamente por uma abordagem que priorizasse o paciente. Essas diferenças levaram à minha saída em 2024", revelou Cristina Hickman, sublinhando que o que aconteceu nesses dois anos após a sua saída "levanta questões que o setor de fertilidade não pode e não deve ignorar".

No texto publicado a 31 de agosto, dia em que o Diário de Notícias (DN) noticiou o encerramento da clínica, a especialista lembrou que "os tratamentos de fertilidade não são apenas mais um negócio financiado por capital de risco" e que "os pacientes confiam a uma clínica algo profundamente precioso: a chance de terem um filho".

"Os seus embriões, óvulos e espermatozoides não são simplesmente ativos num balanço patrimonial. Representam anos de esperança, dinheiro, tratamento e, para alguns, a última oportunidade de se tornarem pais", realçou, defendendo que as "empresas podem falir", os "investidores podem perder dinheiro" mas "os pacientes não devem arcar com as consequências de como essa falência é administrada".

Além das famílias afetadas pelo fecho da clínica de fertilidade de Cascais, Cristina Hickman recordou que também "excepcionais profissionais da área de fertilidade foram deixados à própria sorte, sem qualquer aviso prévio. Médicos. Enfermeiros. Embriologistas. Cientistas. Equipes de atendimento ao paciente. Pessoas que dedicaram anos ao cuidado de pacientes de repente se viram sem respostas sobre tratamentos em andamento, pacientes, embriões, operações de laboratório e até mesmo seus próprios empregos".

"Eles não tomaram as decisões financeiras que levaram a empresa a essa situação.

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