Crédito à habitação faz dívida das famílias subir ao ritmo mais alto desde 2008
O endividamento da economia portuguesa diminuiu 5,9 mil milhões de euros em julho, para 887,6 mil milhões de euros, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
No entanto, esta descida deveu-se exclusivamente ao setor público, visto que o endividamento no setor privado cresceu 2,4 mil milhões de euros, dos quais cerca de metade devido ao crédito à habitação .
A taxa de variação anual do endividamento dos particulares situou-se em 10% em julho, mês em que registou a subida mais acentuada desde o início da série, em dezembro de 2008.
O endividamento das empresas privadas também cresceu 4,4%, mais 0,7 pontos percentuais do que em junho.
Preços da habitação sobem 16,5% com sinal de abrandamento Ler Mais No setor privado (empresas privadas e particulares), o endividamento aumentou então para 501,5 mil milhões de euros.
Um crescimento que se deveu sobretudo aos particulares, cujo endividamento subiu 1,6 mil milhões de euros — dos quais 1,4 mil milhões de euros perante o setor financeiro, onde se incluem os bancos.
De acordo com os dados publicados esta manhã pelo banco central, liderado por Álvaro Santos Pereira, o crédito à habitação contribuiu com 1,2 mil milhões de euros para o aumento do endividamento ; e os empréstimos para consumo e outros fins com 200 milhões de euros.
Subida menor teve o endividamento das empresas privadas, de ‘apenas’ 800 milhões de euros.
Em termos líquidos, as empresas privadas reembolsaram 600 milhões de euros de títulos de dívida de longo prazo, na sua maioria detidos por não residentes.
Em julho, o valor emitido em títulos de curto prazo foi maior (0,9 mil milhões de euros), subscritos sobretudo por não residentes (0,7 mil milhões de euros).
O endividamento sob a forma de empréstimos aumentou 0,6 mil milhões de euros, essencialmente junto do setor financeiro.
Endividamento do setor não financeiro por setor devedor Fonte: Banco de Portugal O setor público (administrações públicas e empresas públicas) registou uma queda do endividamento em 8,3 mil milhões de euros face a junho, para 386 mil milhões de euros, em resultado , sobretudo, do reembolso de títulos de dívida pública de longo prazo — particularmente de obrigações do Tesouro (9,3 mil milhões de euros).
Por outro lado, o aumento das aplicações das famílias em Certificados de Aforro e do Tesouro contribuiu com uma subida de 700 milhões de euros para o endividamento do setor público.
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