Hezbollah no Líbano rejeita acordo com Israel e recusa "render-se"
"S omos contra o acordo-quadro e apelamos a derrubá-lo", afirmou Naïm Qassem num discurso transmitido à noite pelo canal do Hezbollah, al-Manar.
O acordo celebrado a 26 de junho, sob a égide dos Estados Unidos, prevê que o exército libanês restabeleça a sua autoridade no sul do Líbano, sujeito ao desarmamento do Hezbollah, começando por "zonas piloto" das quais o exército israelita se retiraria.
"O acordo-quadro é ilegítimo, ilegal e humilhante. Ofende a soberania libanesa e não permite recuperar os direitos", insistiu Qassem.
"Não aceitamos nem as zonas piloto, nem o que delas decorre", acrescentou o líder do Hezbollah, sublinhando que a sua formação "recusa a comissão de verificação" responsável por supervisionar a implementação desse acordo.
Durante as últimas negociações em Roma, no início de agosto, Líbano e Israel discutiram os países que poderiam participar numa comissão responsável por verificar o destacamento do exército libanês, que começou em "zonas piloto", bem como o desmantelamento das armas e infraestruturas do Hezbollah, tinha indicado à AFP uma fonte da presidência libanesa.
Uma nova sessão de negociações está prevista para setembro, sem que uma data concreta tenha sido ainda definida.
O movimento xiita envolveu o Líbano na guerra regional, ao realizar ataques contra Israel em apoio a Teerão, a 02 de março, desencadeando pesados bombardeamentos aéreos israelitas e uma ofensiva terrestre, que causaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas.
Embora a violência tenha diminuído desde a assinatura do acordo-quadro em junho, continuam ataques esporádicos israelitas.
Estes ataques intensificaram-se nos últimos dias no sul, onde uma mulher foi morta hoje, segundo as autoridades.
Israel também estabeleceu uma "zona de segurança" na região, na qual o seu exército está destacado.
Mesmo que o Hezbollah não reivindique ataques contra tropas israelitas há mais de dois meses, o seu líder garantiu hoje que o movimento irá "manter-se de cabeça erguida" e não "irá render-se".
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) alertou hoje que a situação no sul do país "continua frágil", depois de ter registado mais de mil projéteis lançados em sete dias.
"Embora os níveis de violência sejam inferiores aos do início do ano, a situação no sul do Líbano continua frágil", afirmou a missão da ONU em comunicado, no qual dá conta de que, entre 21 e 27 de agosto, os militares internacionais registaram 1.030 trajetórias de projéteis, uma média de 147 por dia.
A FINUL lamentou que "por detrás destes números esteja um custo contínuo para a população civil, com casas e infraestruturas vitais danificadas e comunidades a lutar para recuperar" no sul do Líbano, devido aos ataques contínuos do exército israelita.
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