Alegre em Belém defende que cultura é o melhor alimento
O histórico socialista Manuel Alegre esteve esta sexta-feira ao lado do Presidente da República, António José Seguro, na Festa do Livro em Belém, que elogiou, e defendeu que a cultura é o melhor alimento em situação de crise.
“Um povo que esquece a sua cultura, esquece a sua identidade. Eu acho que não há alimento melhor para um povo ou para uma situação de crise que a cultura, e já agora, se me permitem, a poesia”, declarou o poeta e presidente honorário do PS, que se manifestou preocupado com o estado do mundo e também do país.
Manuel Alegre, com 90 anos de idade, assistiu, sentado ao lado do chefe de Estado, à apresentação do livro Cantos de Tristeza (Tristia) , de Ovídio, escritos no exílio do poeta romano, traduzidos por Carlos Ascenso André, no Jardim da Cascata do Palácio de Belém.
No fim, aceitou prestar breves declarações aos jornalistas, e começou por lembrar o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pela criação desta Festa do Livro, com entrada livre, nos jardins do Palácio de Belém, iniciativa à qual António José Seguro decidiu dar continuidade e que vai na 9.ª edição.
“É uma ideia muito bonita que dignifica a nossa cultura e dignifica a Presidência da República e mostra que o Presidente e a Presidência estão perto do que há de bom na nossa literatura e na nossa cultura”, elogiou o antigo candidato presidencial.
“Não há alimento melhor para um povo ou para uma situação de crise que a cultura”, defendeu.
Em resposta à comunicação social, Manuel Alegre não quis abordar temas da atualidade política nacional, mas assumiu-se preocupado com o estado do mundo e do país: “Preocupam-me muito os tempos em que vivemos, aqui e no mundo”.
“No plano interno, sim, porque nós não somos uma ilha isolada do mundo, portanto, o que se passa no mundo também repercute aqui”, acrescentou.
Interrogado se lhe parece que o mundo enlouqueceu, o antigo vice-presidente da Assembleia da República retorquiu: “O mundo não enlouqueceu, mas o mundo tem alguns loucos que fazem tudo para enlouquecer o mundo”.
“Nós não nos safamos sozinhos, temos que nos safar em conjunto. E a Europa tem que se safar em conjunto, unida”, considerou.
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