Promotores e imobiliárias antecipam arrefecimento dos preços das casas sem sobressaltos
Depois de vários trimestres de fortes subidas, o mercado da habitação em Portugal começa a dar sinais de algum cansaço.
O Índice de Preços da Habitação divulgado esta terça-feira pelo INE mostra uma subida homóloga de 16,5% no segundo trimestre, menos do que os 17,8% do trimestre anterior e o valor mais baixo desde o início de 2025.
Em cadeia, contudo, os preços continuaram a avançar 3,6%.
Ao mesmo tempo, o número de casas vendidas caiu 6,4% face ao mesmo trimestre do ano passado , para 40.142 transações, enquanto o valor global negociado subiu 4,2%, para 10,7 mil milhões de euros.
Porém, a quebra homóloga esconde uma recuperação face ao início do ano : em comparação com o primeiro trimestre de 2026, venderam-se mais 6,4% de casas, depois de uma queda de 12,4% no trimestre anterior.
Estes movimentos revelam uma equação que intriga o setor: se, por um lado, há menos casas a mudar de mãos do que há um ano, por outro, o dinheiro que circula no mercado continua a crescer.
Os preços estão a subir a um ritmo mais lento, mas isso não significa que comprar casa tenha ficado mais fácil.
Ricardo Sousa CEO da Century 21 em Portugal e Espanha Manuel Maria Gonçalves e Carlos Santos afastam, para já, uma inversão da tendência de subida dos preços.
“Estamos perante um abrandamento da intensidade do crescimento, mas não perante uma inversão da tendência” , resume o CEO da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).
Carlos Santos, CEO da Zome, partilha a leitura, notando que não considera que haja “ainda uma inversão de tendência.
Uma valorização homóloga de 16,5% continua a revelar um mercado sob forte pressão.” Preços da habitação sobem 16,5% com sinal de abrandamento Ler Mais Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, avisa que a desaceleração não deve ser confundida com alívio para quem procura casa.
“Os preços estão a subir a um ritmo mais lento, mas isso não significa que comprar casa tenha ficado mais fácil”, diz o responsável, para quem a comparação com um período de forte valorização deve ser tida em conta, mas não anula a pressão sobre quem compra: “Uma subida de 16,5% continua a representar uma pressão muito significativa sobre o orçamento de quem procura casa.” Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, há dois motores em ação: um mais estrutural e outro mais conjuntural.
O estrutural tem que ver com a margem de valorização que o mercado ainda tem por percorrer.
“Se Portugal estava em desconto, isso é cada vez menos verdade”, diz o responsável, acrescentando que essa valorização tem geografia própria, com os preços em Lisboa a subir, segundo Ricardo Guimarães, a um ritmo bem mais contido do que a média nacional, e as regiões mais baratas do país a valorizar com maior intensidade do que as mais caras.
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