Habitação? Equipa médica responde a ansiedade, medo e cansaço extremo
A equipa médica e apoio psicológico da acampada do Porto, que desde 10 de outubro tem ocupado a Praça D.
João I, mesmo que com interrupções da polícia, tem ajudado com situações de ansiedade, medo e cansaço extremo.
"Depois da agressão violenta que se sofreu aqui na madrugada de quinta-feira [carga policial que provocou 39 feridos], houve uma maior necessidade de prestar cuidados.
Vimos muitas pessoas com exaustão extrema, situações constantes de ameaças de violência por grupos de extrema-direita, das forças policiais", disse à Lusa Jo Rodrigues, pessoa médica que integra a equipa de resposta da acampada.
A acampada, que esta manhã foi desmontada após ordem policial, tem-se mantido no local desde dia 10 de outubro, apesar de duas ações de desmontagem por ação das autoridades, além da carga policial.
Ali, há mais de uma dezena de profissionais de saúde credenciados ligados à saúde mental que têm dado "algum suporte", mesmo que sem consultas, e encaminhado alguns casos para outros serviços de saúde.
"Nós vemos algumas pessoas com episódios de ansiedade, de angústia, as emoções às vezes ficam um bocadinho à flor da pele quando se relembra ou quando há uma ameaça de voltarmos a ter um encontro ou quando sai uma notícia de que a polícia vai outra vez aparecer aqui… nota-se que as tensões aumentam um bocadinho", revela Jo Rodrigues, com formação em psiquiatria além de trabalhar em urgências.
"Uma cabeça que não descansa é uma cabeça que está alerta e já bastam os estímulos fora, constantes, seja dos ruídos, seja das sirenes, seja das notícias. (...) O cuidado de nós é o cuidado da acampada", lembra.
Além do apoio psicológico, o apoio médico é omnipresente no local, com vários profissionais credenciados, de socorristas a médicos de medicina geral e enfermeiros, assinalados com colete refletor.
Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D.
João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.
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