Uma família numerosa consome 5,7 vezes mais eletricidade e a melhor tarifa não é sempre a mesma
Nas comparações de preços de energia , o pressuposto implícito é que existe uma oferta melhor do que as outras e que basta identificá-la.
Os dados de simulação de agosto mostram que esse pressuposto é falso, e mostram-no de forma que interessa a qualquer casa portuguesa: a oferta mais competitiva muda consoante o perfil de consumo, e a diferença entre perfis é grande o suficiente para inverter rankings.
Os três perfis usados como referência ilustram bem a amplitude.
Um casal sem filhos consome cerca de 160 kWh por mês, com potência contratada de 3,45 kVA.
Uma família típica com dois filhos consome 400 kWh, com 6,9 kVA.
Uma família numerosa consome 908 kWh, com 13,8 kVA.
Entre o primeiro e o terceiro perfil há um fator de 5,7 vezes no consumo e um fator de quatro na potência contratada.
São, para efeitos de tarifário, mercados diferentes.
A razão pela qual a melhor oferta muda tem que ver com a estrutura de qualquer tarifário de eletricidade, que assenta em duas componentes.
Uma é o termo de potência, cobrado por dia consoante o escalão contratado, e existe independentemente do consumo.
A outra é o termo de energia, cobrado por kWh efetivamente consumido.
Um tarifário com termo de potência baixo e termo de energia alto favorece quem consome pouco.
Um tarifário com a estrutura inversa favorece quem consome muito.
Como os comercializadores desenham as ofertas com combinações diferentes destas duas componentes, não existe uma oferta que seja simultaneamente a melhor nos três perfis.
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