Futuro de irmã de jovem que matou mãe em Algés por decidir. Eis a razão
A decisão judicial sobre guarda da menina de 4 anos, irmã do adolescente que assassinou a mãe, Gabriela Barbosa, de 33 anos, na madrugada do passado dia 12 de agosto, em Algés , no concelho de Oeiras, foi adiada ontem, quarta-feira, 26 de agosto.
De acordo com o Correio da Manhã , o Tribunal de Cascais quer ouvir o pai da menina, que está em prisão preventiva pelo crime de violência doméstica, antes de tomar uma decisão, em setembro, mês em que a sessão de ontem será retomada.
A decisão não terá deixado nem a família materna, nem paterna satisfeitas. Ambas querem que a menina vá para o Brasil.
Porém, segundo o jornal O Globo , pelo menos para já, a menina permanecerá com uma amiga da mãe, a quem foi entregue pelas autoridades na altura do homicídio.
À saída do tribunal, Patrícia Molino, advogada da família paterna criticou a decisão: "A própria criança diz que não está bem onde está, quer ficar com a família", revelou.
Segundo a mesma, foram solicitados ao Brasil relatórios para "comprovar as condições financeiras" da família paterna e já há acordo entre ambas as famílias para que seja esta a ficar com a guarda da menina.
A advogada do pai, Gisely Steagall, já previa que o processo de guarda, para posterior repatriamento, seria complicado.
Ao jornal brasileiro, notou que era "preciso comprovar que a família, que vive em São Paulo, reúne condições financeiras e emocionais para ficar com a criança" e deixou duras críticas ao Estado português.
"Houve falha do sistema português porque os menores estavam sinalizados pelos serviços sociais, as coisas não corriam bem e, como prevê a lei, deveria ter tirado os filhos de lá", evidenciou.
Recorde-se que, na madrugada do passado dia 12 de agosto, um jovem de 15 anos matou a mãe, em Algés, Oeiras, com um 'mata-leão', um golpe de estrangulamento e imobilização usado em artes marciais.
Posteriormente, permaneceu em casa, junto da irmã, de 4 anos, e do cadáver da progenitora, durante várias horas. Só depois chamou as autoridades.
Entretanto, soube-se que a família estava sinalizada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras, que o Ministério Público (MP) tinha acesso a vídeos suspeitos e que a Polícia de Segurança Pública (PSP) chegou mesmo a recusar uma queixa por parte do rapaz contra a mãe, pelo crime de violência doméstica, por este ser menor e não estar acompanhado de um adulto.
O adolescente encontra-se agora internado num centro de acolhimento, em regime fechado, durante os próximos três meses. A medida será reavaliada dentro de dois meses. Já o futuro da irmã permanece, para já, incerto.
Antes de a mulher ser morta pelo filho de 15 anos, em Algés, já o ex-companheiro estava detido pelos crimes de violência doméstica e violação agravada contra ela. Com a morte de Gabriela, como fica esse julgamento? Falámos com o advogado Dantas Rodrigues para saber que implicações pode ter no processo a morte da vítima.
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