Lisboa corta 8.300 alojamentos locais no pós-pandemia mas preços das casas continuaram a subir
Lisboa reduziu em 40% o número de registos de alojamento local (AL) desde o fim da Covid-19.
Os dados da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), fornecidos ao Jornal Económico, mostram que, logo após a pandemia, a capital contava com cerca de 20 mil espaços de AL.
Desde então, com a autarquia liderada por Carlos Moedas a avançar com a limpeza dos chamados registos ‘fantasma’, o número caiu para 11.700.
A redução acontece numa altura em que a Comissão Europeia apresenta um conjunto de regras no âmbito da chamada Lei da Habitação Acessível, com o objetivo de limitar o alojamento local, apontado como um dos principais fatores de pressão sobre os preços das casas.
No caso de Lisboa, contudo, a limpeza dos registos de alojamento local não se traduziu numa descida dos preços da habitação.
“Continuaram a subir, independentemente das restrições.
Não quer dizer que as restrições não tenham desacelerado ou abrandado ligeiramente uma bola de neve que já estava a uma grande velocidade.
As duas coisas são possíveis.
Há, de facto, um impacto com as restrições, mas não quer dizer que os preços tenham descido.
Quer dizer que os preços não sobem tanto como nas zonas de contenção”, afirma ao JE João Pereira dos Santos, economista e professor no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
O economista considera, contudo, que seriam necessários mais dados para perceber exatamente a extensão deste processo.
“Há muita coisa que não sabemos sobre essas limpezas de registos, que espaços estão ou não ativos.
Também não sabemos se há fiscalização, quantas vezes é feita.
Há várias regulações e sabemos muito pouco sobre o que aconteceu depois de cada uma.
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