A família passou décadas a perguntar o que aconteceu ao veterano da II Guerra Mundial que desapareceu em 1965. Depois, o FBI bateu à porta
Quando Sandra Kalander ouviu bater à porta da sua casa na costa do Oregon, pensou que alguém lhe queria vender alguma coisa. A mulher, de 85 anos, nunca esperou que a pessoa de jeans e camisola fosse uma agente do FBI.
“Quem é que quer saber?", recorda Kalander, que vive nas colinas arborizadas de Astoria, ter perguntado com uma gargalhada.
A agente especial do FBI Meagan Sharp contou-lhe que uma amostra de um teste de ancestralidade que o seu filho Robert,que tinha falecido há mais de uma década, tinha feito o associava, como parente, a um corpo encontrado em 1972 nos bosques de Bandon, no Oregon.
O FBI procurava agora uma correspondência mais próxima na árvore genealógica.
Aquele dia de primavera aproximou o trabalho de vários investigadores persistentes — com a ajuda da genealogia genética — da identificação dos restos mortais. Eram de Armas Henry Lahti, um veterano da Marinha norte-americana da II Guerra Mundial que se tornou pescador comercial e era primo em segundo grau do marido de Kalander, John.
Encontrar a família de Lahti foi o mais recente passo numa tentativa de meio século para resolver o mistério em torno da morte do veterano, provocada por dois tiros na cabeça.
Lahti, também conhecido como Mousy, apesar de não ter nada de tímido, aparecia em casa depois do período de maior atividade da pesca. O homem, descrito como “alegre e extrovertido”, sentava-se no chão para jogar às cartas com Robert, então uma criança pequena de Kalander — a mesma pessoa cuja amostra de ADN acabou por estabelecer a ligação entre as famílias.
Mas, algures por volta de 1965, Lahti desapareceu das suas vidas, contou Kalander.
O desaparecimento esteve envolto em mistério durante décadas, pontuado por rumores de uma discussão num bar da qual ele saiu numa noite, levando consigo uma espingarda. O mistério aprofundou-se agora, enquanto os investigadores tentam perceber como acabou numa zona florestal junto à estrada 101, mais de 60 anos atrás.
“Foi chocante descobrir finalmente, depois de todos estes anos, o que aconteceu”, disse Kalander.
À medida que o tempo vai esbatendo as memórias dos últimos dias de Lahti, restam poucas pessoas vivas capazes de contextualizar os rumores sobre a briga no bar, e é ainda menos provável que o agressor ainda esteja vivo. Apesar dos desafios, um agente da polícia e outros voluntários continuam a procurar respostas, na esperança de proporcionar à família um encerramento deste capítulo.
Quando Chancy Fabrizio começou a trabalhar no caso, em 2024, havia muito pouco com que trabalhar.
Não existia um relatório de pessoa desaparecida que correspondesse à descrição do corpo. O próprio corpo estava gravemente decomposto depois de ter passado um período desconhecido exposto aos elementos, a animais, insetos e chuva, além de ter permanecido 50 anos armazenado. Ainda assim, apresentava “marcas indicativas de violência homicida”, segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Coos.
Os investigadores divulgaram ao público um desenho que recriava o aspeto mais provável da vítima, mas não obtiveram resultados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.