Quem espera sempre alcança
Descobri, numa das minhas últimas missões a Portugal, que há um provérbio muito conhecido no vosso país que diz que “quem espera sempre alcança”. Também acreditamos nessa paciência e resiliência na Arábia Saudita: achamos que é daí que nascem os frutos mais doces. Apesar de ter sido criado em 2024, só agora o trabalho do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal (SPBC) começa a mostrar resultados mais palpáveis. Sinónimo disso mesmo foi a recente visita de uma delegação de quase duas dezenas de empresas e organizações portuguesas, além de membros do Governo português, à Arábia Saudita. Uma missão que mediámos e que fica marcada pelo que foi assinado, mas também pelo que deixou em aberto para os próximos anos.
Ao longo de cinco dias, reunimos 11 empresas e seis organizações empresariais portuguesas com alguns dos mais relevantes decisores públicos e privados sauditas. Estivemos com o vice-ministro da Economia e Planeamento, com a Autoridade Saudita de Promoção do Investimento, com a Autoridade Geral do Comércio Externo, com a Milaf Global (empresa do Fundo de Investimento Público), com a Monsha’at (a Autoridade Geral das Pequenas e Médias Empresas da Arábia Saudita) e com a Federação das Câmaras Sauditas. Não foram meras reuniões de cortesia, mas sim conversas com substância, com uma agenda concreta e que terão impacto real.
O ponto alto da missão foi o Fórum de Parceria e Investimento Saudita-Português, realizado a 1 de outubro em Al Khobar, na Província Oriental. Mais de 100 representantes dos setores público e privado dos dois países reuniram-se numa plataforma de encontro direto, com a presença de entidades da Província Oriental e de empresas de referência mundial. Acima de tudo, existiram conversas que podem tornar-se contratos, e contactos que podem tornar-se parcerias. É exatamente para isto que o SPBC existe.
Da missão saíram também acordos concretos. Foi assinado um protocolo entre a ANJE — Associação Nacional de Jovens Empresários — e a Monsha’at, que estabelece uma base de cooperação para a partilha de conhecimento e apoio a empresas portuguesas interessadas em entrar no mercado saudita. Foi também firmado um acordo entre a Monsha’at e a Unicorn Factory Lisboa, reforçando a colaboração nas áreas da inovação, tecnologia e empreendedorismo. Estes são passos concretos, não apenas intenções.
A cada visita que faço a Portugal, e a cada empresa portuguesa que conheço, a minha convicção fica reforçada: este país tem muito mais para oferecer do que aquilo que o mundo conhece. Esta missão confirma-o. Estivemos com empresas que representam um Portugal diverso, competente e ambicioso. Trata-se do perfil que a Arábia Saudita procura para os grandes projetos que estão a nascer no âmbito da Vision 2030, com metas ambiciosas. Teremos também no horizonte eventos de larga escala, como a Expo 2030, e a procura por parceiros internacionais com know-how e capacidade de execução só vai crescer. As empresas portuguesas que chegarem primeiro terão vantagem. As que esperarem poderão chegar tarde e perder uma valiosa oportunidade.
Há dois anos, quando criámos o SPBC, éramos uma ideia com ambição.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.