Berlim e Paris condenam "apelos desumanos" de Ben Gvir sobre Gaza
U m porta-voz do Governo alemão disse que o chanceler Friedrich Merz condenou "os apelos desumanos" de Ben Gvir, que o chefe da diplomacia francesa, Jean-Noel Barrot, descreveu como declarações "insuportáveis e desumanas".
Ministro responsável pela Segurança Nacional, Ben Gvir apelou recentemente a assassínios em Gaza.
"Penso que deviam ser levadas a cabo eliminações seletivas todas as noites em Gaza. Eliminem 30 ou 40", declarou num 'podcast' com uma antiga refém de Gaza.
"Não apenas aqueles que vos colocam em perigo neste exato momento. São pessoas que não deviam estar vivas", continuou, acrescentando: "Estou a fazer-lhes um elogio ao qualificá-los de seres humanos".
O chanceler Merz "condena com a maior firmeza os apelos desumanos e contrários ao direito internacional lançados pelo ministro Ben Gvir, que são inaceitáveis", afirmou o porta-voz Sebastian Hille durante uma conferência de imprensa em Berlim.
Hille disse que "os últimos passos dados pelo Governo israelita na Cisjordânia", nomeadamente o lançamento de um novo concurso público para a construção de habitações no território ocupado, eram "acompanhados com grande preocupação pelo chanceler".
Merz "fez saber isso por diversas vezes ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em conversas confidenciais como em declarações públicas", afirmou o porta-voz, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Para a Alemanha, "não deve haver qualquer nova medida de anexação na Cisjordânia, nem formal, nem política, nem de construção nem de qualquer outra natureza, que nos seus efeitos levem de forma cada vez mais evidente a uma anexação".
Questionado pelo jornal La Montagne sobre a situação no Médio Oriente, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês considerou que "o que está a acontecer hoje na Cisjordânia é verdadeiramente indigno".
"Devia revoltar-nos a todos", afirmou Jean-Noel Barrot ao jornal de Clermont-Ferrand, também citado pela AFP.
"É por essa razão que sancionámos o ministro Ben Gvir, cujas declarações recentes são insuportáveis e desumanas", disse Barrot.
O Governo de Paris impôs a Ben Gvir a proibição de entrada em solo francês desde 23 de maio, após a divulgação de um vídeo de militantes da "flotilha para Gaza" ajoelhados e de mãos atadas.
Barrot também não excluiu que sejam tomadas sanções adicionais contra os colonos israelitas, que realizaram nos últimos dias novas ações de violência contra os palestinianos na Cisjordânia ocupada desde 1967.
"Tomámos, pela terceira vez, em 28 de maio passado, sanções europeias contra estes colonos. Novas sanções poderão ser tomadas e todas as opções estão sobre a mesa", admitiu Barrot.
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