Mãe que deixou dois filhos sozinhos em Braga diz que estava a trabalhar
A mãe que deixou os filhos sozinhos numa casa, em Braga, disse que não ia a casa há cinco dias por causa do trabalho. O alerta para o abandono foi dado por vizinhos que ouviram a criança mais nova, de 3 anos, a chorar e a chamar pela irmã, de 15.
A informação de que a mãe justificou a ausência de casa com o trabalho foi avançada esta quinta-feira pelo Jornal de Notícias. De acordo com a mesma publicação, a mãe trabalhava em estabelecimentos de diversão noturna, com horários a durarem até altas horas da noite.
Quando os vizinhos deram com o menino de 3 anos nas escadas, a irmã tinha ido comprar bolachas. Eram 4h30 de quarta-feira quando a adolescente foi comprar comida a uma estação de serviço, depois de a mãe lhe transferir dez euros por MB Way.
A mãe, de 37 anos, foi localizada horas depois pela Polícia de Segurança Pública, já por volta do meio-dia. Foi, entretanto, constituída arguida, estando indiciada pela suspeita de dois crimes de exposição ao abandono, cuja moldura penal oscila entre dois e cinco anos de prisão.
O menor foi levado desde logo levado de ambulância para o Hospital de Braga "para observação médica" , encontrando-se bem, segundo a PSP explicou logo na quarta-feira.
A irmã "também foi encaminhada para o Hospital de Braga para observação".
O pai das crianças esteve envolvido em casos de violência doméstica e chegou a estar detido no Estabelecimento Prisional de Braga, onde foi encontrado morto recentemente.
Contactada pela Lusa, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Braga disse que a situação daqueles menores está sob alçada de uma Equipa Multidisciplinar de Apoio Técnico (EMAT) ao tribunal daquela comarca.
Trata-se de uma equipa especializada da Segurança Social, integrada por profissionais como assistentes sociais e psicólogos, que apoia os tribunais em processos de promoção, proteção e tutelar cível de crianças e jovens.
Entretanto, em comunicado, a PSP especificou que, "face à gravidade dos factos apurados" e com o objetivo de acautelar o superior interesse das crianças, os factos foram participados ao Ministério Público e as crianças foram entregues "à guarda da Segurança Social".
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