Eliminar os rastos de condensação dos aviões: queimar mais combustível para arrefecer o planeta?
Quando se fala na transição da aviação comercial para a neutralidade carbónica discute-se habitualmente investimentos multimilionários em novos aviões ou combustíveis sustentáveis de aviação, cujos custos ainda desencorajam qualquer adoção em grande escala.
Mas a iniciativa Operation Blue Skies , a arrancar este inverno no Atlântico Norte, coloca em cima da mesa um dilema económico e operacional muito mais imediato: vale a pena queimar mais combustível (e emitir um pouco mais CO 2 ) hoje para eliminar um efeito de aquecimento imediato que representa até metade do impacto climático dos voos? Com um orçamento de cinco milhões de libras (5,8 milhões de euros) — cofinanciado em 2,65 milhões de libras pelo Governo do Reino Unido e com uma contribuição pro bono de 1,4 milhões de libras em capacidade computacional e engenharia da Google —, o projeto-piloto vai testar no espaço aéreo de Shanwick a viabilidade económica e operacional de fazer divergir aviões comerciais de zonas atmosféricas propensas à formação de rastos de condensação persistentes ( contrails ) – as riscas brancas no céu que se formam naturalmente a grandes altitudes e que contribuem para o aquecimento do planeta pois impedem que este arrefeça, à noite, refletindo o calor de volta para a Terra.
Operation Blue Skies.
Teste pioneiro com IA no Atlântico Norte visa eliminar os "riscos no céu" dos aviões que aquecem a atmosfera A matemática operacional do projeto encerra uma das suas equações mais complexas.
Para desviar um avião da bolsa de ar frio e húmido onde se formam estas nuvens artificiais, os controladores de tráfego aéreo da NATS darão instruções para pequenas alterações de altitude , tipicamente de 2000 pés (cerca de 600 metros).
Esta mudança em relação ao perfil ideal de voo do avião implica, naturalmente, uma "penalização de combustível", ou seja, um gasto acima do previsto inicialmente.
"Dado que estamos a limitar os desvios por razões de contrails a cerca de 2000 pés, isso traduz-se numa penalização de combustível de cerca de 1% durante a travessia do espaço aéreo de Shanwick", revelou Paul Hodgson, responsável técnico da Google para a Operation Blue Skies , na apresentação à imprensa do projeto, esta semana.
Na prática, explicou o responsável, "isto representa, em média, cerca de 100 quilos de combustível por avião [aprox.
300kg de CO 2 ], o que é um aumento relativamente marginal no consumo".
No entanto, do ponto de vista do balanço climático total, o dividendo será enorme, esperam os cientistas.
Em voos noturnos no corredor do Atlântico Norte, onde o efeito de retenção de calor pelos contrails é máximo (pela razão explicada em cima), o benefício da eliminação da nuvem artificial mede-se em toneladas de impacto térmico evitado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.