Jurado em desacordo no caso de Lindsay Clancy afirma: "Não tive dúvidas"
O único jurado que manteve a sua posição no julgamento de Lindsay Clancy, a mulher acusada de matar os três filhos nos Estados Unidos, quebrou o silêncio sobre a sua decisão e defendeu que não teve "quaisquer dúvidas" durante os sete dias de deliberações do júri.
"Eu não tive quaisquer dúvidas", afirmou o homem, identificado como Michael Péguy Desronvil, numa declaração divulgada através do seu advogado. "Enquanto tentava explicar diferentes teorias possíveis durante as deliberações, era constantemente interrompido, como se tivesse dúvidas com base nas provas apresentadas".
"Com base em todas as provas físicas, nas principais testemunhas e no que foi apresentado pela acusação, considerei que havia provas suficientes de que ela [Clancy] sabia exatamente o que estava a fazer e que tinha planeado tudo", concluiu.
"I didn't have any doubts. As I tried to explain different possible theories during deliberation, I kept getting cut off as if I had doubts based on the evidence presented. Based on all the physical evidence, key witnesses, and what the prosecution presented, I thought it was…
Lindsay Clancy declarou-se inocente das três acusações de homicídio relacionadas com a morte da filha Cora, de cinco anos, do filho Dawson, de três anos, e do bebé Callan, de oito meses.
O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2023, em Duxbury, Massachusetts, quando Lindsay Clancy, então com 32 anos, aproveitou o momento em que o marido, Patrick Clancy, saiu de casa a seu pedido para ir buscar jantar e medicação para a filha mais velha.
Durante os cerca de 55 minutos em que o marido esteve fora, Lindsay estrangulou os três filhos na cave da habitação. Depois, cortou os pulsos e o pescoço e saltou do segundo andar numa tentativa de colocar termo à própria vida.
Os dois filhos mais velhos morreram no próprio dia, enquanto o mais novo acabou por morrer dias depois no hospital. Já Lindsay sobreviveu à queda, mas sofreu lesões graves na coluna que a deixaram paraplégica.
A mulher começou a ser julgada em agosto e a acusação pretendia que fosse criminalmente acusada e condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sustentando que se tratou de um "crime deliberado e planeado".
Os procuradores acusavam a mulher de ter calculado o tempo necessário para o marido sair de casa e ter pesquisado, nas semanas e dias anteriores, sobre "métodos de suicídio", "sintomas de psicose" e "tratamento para sociopatas". Além disso, defendem que o salto da janela foi uma tentativa de encenar um suicídio para escapar à responsabilidade.
A defesa, por sua vez, argumentou que Lindsay Clancy não pode ser considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental.
O seu advogado, Kevin Reddington, alega que a mulher sofria de psicose pós-parto e perturbação bipolar não diagnosticada.
No início de setembro, a justiça norte-americana anulou o julgamento, depois de os jurados não terem chegado a um acordo sobre o veredicto.
"Declararei o júri bloqueado e declararei anulado o julgamento", disse o juiz William Sullivan, num caso que desencadeou um intenso debate sobre a saúde mental das mães, nomeadamente, em relação ao pós-parto, nos Estados Unidos.
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