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As Pastoras Felizes contra o fogo. Estas "influencers" comem tudo e não deixam nada

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As Pastoras Felizes contra o fogo. Estas "influencers" comem tudo e não deixam nada

Há já claridade na Serra do Açor quando a estrada começa a subir de Arganil para Cepos e Teixeira, mas o sol continua escondido do outro lado da montanha e durante alguns quilómetros é essa ausência que vai revelando o caminho, curva atrás de curva, montes que aparecem por trás de outros montes, zonas secas pelo verão e manchas mais verdes, afloramentos de rocha, caminhos de terra que deixam o alcatrão e se perdem pelas encostas, estruturas elétricas, eólicas alinhadas nas cumeadas.

Sobe-se devagar porque não há outra maneira de subir. A distância, no mapa, engana. Na serra, poucos quilómetros podem demorar porque cada curva esconde a seguinte e obriga a descobrir o percurso aos bocados. Cepos e Teixeira só aparece no fim da subida. No alto, uma estrada continua para a aldeia; outra abandona o alcatrão e desce por terra até ao cabril, mais abaixo, já fora das casas. Cátia Costa, Nair Carocinho e Anna Cavinato já lá estão. São quase sete da manhã. Do outro lado da porta há cerca de 170 cabras e, por enquanto, nada se ouve.

Quando as três entram, o cabril enche-se de nomes. Os animais levantam-se e aproximam-se sem a reserva que teriam diante de estranhos, primeiro umas, depois tantas que as mulheres começam a desaparecer entre dorsos castanhos, pretos, cinzentos, brancos, pelo comprido, brincos verdes e amarelos, cornos que se cruzam a diferentes alturas. A luz entra oblíqua pela porta, torna visível a poeira, arranca um brilho breve ao metal de um balde, ilumina mãos ocupadas na ordenha e morre poucos metros adiante na penumbra. Um cão grande continua estendido no chão, indiferente à confusão com a autoridade tranquila de quem já viu a mesma manhã começar demasiadas vezes. Uma cabra reclama festas antes de qualquer outra coisa, outra abre passagem quando chega a vez dela, duas resolvem uma divergência à cabeçada, um cabrito aproxima-se demasiado do balde e é recambiado.

As vozes mudam de timbre quando se dirigem aos animais. Há “meu amor”, “menina linda”, “velhota”, beijos no alto da cabeça, pequenos ralhetes que não chegam a perder a ternura. Alguém pede a uma cabra que pare de pontapear outra. Noutra ponta do cabril, Cátia acaricia o pescoço de uma delas e fica com a mão húmida do focinho. Anna entretém o trabalho com uma melodia que aparece e desaparece entre os chamamentos. Nair ordenha.

O leite martela o fundo metálico do balde. É preciso tirá-lo e, ao mesmo tempo, não perder a conta às cabras que já passaram pelas mãos das pastoras enquanto cerca de 170 animais avançam, recuam, se atravessam, desaparecem atrás de outros corpos. A Valentina já foi? Já. E a Griselda? Também. Uma escapa precisamente quando chega a vez dela. Outra ainda ninguém viu. Nomes e números circulam de boca em boca sem que as mãos parem, a memória do rebanho repartida por três cabeças no meio de leite, cornos, focinhos, baldes, palha e pernas. Para quem acaba de entrar ainda há demasiadas cabras parecidas. Para elas, não.

Nair gosta especialmente desta hora. “É quando recebemos os miminhos.” As cabras aproximam-se, descansam a cabeça no ombro, chegam com o focinho ao ouvido. Nair gosta de imaginar que estão a contar segredos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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