Estágio curricular é componente mais valorizada nos CTeSP
Diplomados e entidades parceiras avaliam de forma positiva o funcionamento dos estágios dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP).
O estágio curricular é, simultaneamente, a componente mais valorizada dos CTeSP e a que concentra mais relatos de falhas: abandono institucional, tarefas pouco qualificadas, fraca articulação entre orientadores.
Cerca de metade dos diplomados revela ter recebido proposta para continuar na organização ou empresa que o acolheu para fazer o estágio, o que demonstra a sua importância na transição para o mercado de trabalho.
Criados em 2014 como um ciclo curto de educação superior, com a duração de dois anos, os CTeSP foram avaliados a pedido do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
O estudo “CTeSP – Avaliação de uma Década de Cursos Técnicos Superiores Profissionais” foi realizado pelo Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior e apresentado esta segunda-feira, 7, no Teatro Thalia, em Lisboa.
O estudo revela uma correspondência moderada entre a área do curso e a área do emprego entre os diplomados que não foram além do CTeSP, sendo bastante mais favorável entre os que obtiveram um grau posterior.
Também revela que uma parte significativa dos diplomados exerce funções abaixo do nível de qualificações detido, mas que, apesar desta perceção, os níveis de satisfação com o emprego são genericamente positivos.
Os diplomados desempregados consideram que a principal dificuldade está “na ausência de oportunidades de trabalho na área do curso e na respetiva região”.
Este é, segundo os investigadores, o fator mais valorizado, mais até do que o salário, as funções, ou os horários das oportunidades.
Este facto permite concluir que o desemprego surge sobretudo associado à capacidade de absorção dos diplomados CTeSP por parte dos territórios, e não a características individuais ou ao nível de qualificação em si.
Os trabalhadores detentores de CTeSP tendem a ser mais jovens, a concentrar-se em empresas de menor dimensão e a apresentar maior peso dos contratos com termo.
“Assim, existe uma inserção no mercado de trabalho, mas frequentemente em segmentos menos estabilizados e menos valorizados”, destacam os investigadores.
O mesmo se aplica aos salários.
Em 2023, os diplomados CTeSP apresentavam uma remuneração média mensal inferior à dos licenciados e bacharéis e ligeiramente inferior à dos diplomados pós-secundários não superiores.
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