Cazaquistão: Partido no poder Adilet parte como favorito nas legislativas
F undado em maio deste ano, o Adilet consolidou a sua posição após a fusão com o partido Amanat (antigo Nur Otan) há dois meses, explicou o politólogo cazaque Andréi Chebotariov.
Os políticos no poder avançaram com a criação do Adilet numa tentativa clara de cortar definitivamente laços com a era de Nursultan Nazarbayev, o anterior Presidente cazaque e líder do Nur Otan.
Segundo Chebotariov, na segunda posição ficará o partido Aúl, enquanto o principal desafio que se coloca às outras formações será ultrapassar o limiar eleitoral para obter representação parlamentar no Kurultai, o novo parlamento unicameral.
Os analistas políticos concordam que a principal incógnita destas legislativas não é tanto quem ganhará, mas sim o apoio que o partido no poder conquistará e o papel que os restantes partidos desempenharão no novo parlamento.
Ao mesmo tempo, afirmam que a renovação dos lugares parlamentares não desencadeará mudanças radicais na política interna e externa do país: acreditam que o Adilet prosseguirá a política equilibrada do Governo e não haverá viragens radicais nem em direção à Rússia, nem ao Ocidente.
Cerca de 12,6 milhões de habitantes da maior república da Ásia Central vão no domingo às urnas para eleger o novo parlamento unicameral do país.
Após a reforma constitucional promovida em março pelo Presidente, Kassym-Jomart Tokayev, - e a entrada em vigor a 01 de julho da Constituição revista - o Cazaquistão terá, a partir de 23 de agosto, uma única câmara parlamentar de 145 membros, eleitos proporcionalmente através de listas partidárias.
A campanha eleitoral decorreu sem incidentes, tendo sido marcada por uma passividade e apatia generalizadas dos eleitores, especialmente dos mais jovens, o que os especialistas atribuem à falta de uma cultura eleitoral, pelo facto de um único partido, o Nur Otan, ter dominado o panorama eleitoral durante mais de duas décadas.
Cerca de 80 deputados e funcionários de cerca de 30 países da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) estão em trânsito para o Cazaquistão para observar as eleições parlamentares antecipadas de 23 de agosto.
Será a 13.ª vez que a Assembleia Parlamentar da OSCE observa eleições no país desde 1994, indicou a organização em comunicado.
Gábor Hajdu, da Roménia, desempenha as funções de Coordenador Especial da OSCE e líder dos observadores de curto prazo para as eleições, e Lucija Tacer Perlin, da Eslovénia, desempenha as funções de chefe da delegação da Assembleia Parlamentar da OSCE.
Segundo a organização, as alterações constitucionais não só introduziram "um único círculo eleitoral nacional, utilizando o sistema de representação proporcional por lista fechada", como "fazem parte de uma reformulação mais ampla da arquitetura institucional do Cazaquistão, incluindo a substituição do parlamento bicamaral pelo Kurultai, a reintrodução da vice-presidência e a criação do Conselho Popular".
Para a OSCE, "a importância destas eleições vai muito para além da composição do próximo parlamento": elas "proporcionarão a primeira oportunidade de observar como funcionarão na prática os novos arranjos constitucionais e eleitorais" no Cazaquistão.
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