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Economia

Publicar mais já não chega

ECO ·
Publicar mais já não chega

A próxima geração de publishers vai ganhar menos pela escala e mais pela capacidade de ser diferente, criar comunidade e transformar conteúdo num verdadeiro produto.

A abundância deixou de ser uma vantagem Durante muitos anos, o modelo dos publishers digitais assentou numa lógica relativamente simples: produzir cada vez mais conteúdos, aumentar o tráfego e transformar essa audiência em inventário publicitário.

Quanto maior fosse a produção, maiores seriam teoricamente as possibilidades de gerar visitas, impressões e receita.

O problema é que Google, Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e outras plataformas passaram entretanto a controlar uma parte muito relevante da distribuição, da atenção dos consumidores e, naturalmente, do investimento publicitário.

A chegada da Inteligência Artificial vem agora acelerar brutalmente esta transformação.

Seria fácil concluir que a grande oportunidade está em utilizar AI para produzir muito mais conteúdo, mais rapidamente e com estruturas editoriais mais pequenas.

Não tenho grandes dúvidas de que isso vai acontecer, mas não acredito que seja aí que esteja o verdadeiro impacto desta revolução.

A AI será útil na edição, tradução, transcrição, pesquisa, tratamento de imagem ou adaptação de formatos, aquilo a que podemos chamar a “cosmética” do conteúdo, mas tornar mais barata a produção de conteúdo indiferenciado não resolve o problema dos publishers.

Se qualquer pessoa ou máquina consegue produzir em segundos um resumo competente, uma explicação genérica ou mais um artigo sobre um determinado tema, esse conteúdo passa inevitavelmente a ter menos valor.

Num mercado de oferta praticamente infinita, a quantidade deixa de ser uma vantagem competitiva.

O valor estará cada vez mais na investigação, análise, opinião, humor, acesso, criatividade, personalidade e numa forma própria de contar histórias.

Não é necessário que tudo seja uma grande investigação, é necessário que o utilizador perceba porque vale a pena consumir aquele conteúdo naquele publisher.

Audiências são úteis.

Comunidades são um ativo Esta mudança obriga também a repensar uma obsessão antiga da indústria: a dimensão da audiência.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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