Energia hidroelétrica. A “arma-secreta” portuguesa para armazenamento
A transição energética depende do armazenamento e esta realidade tornou-se mais evidente nos últimos anos.
Hoje, as redes modernas e de maior eletrificação, como as redes portuguesa e ibérica, enfrentam desafios relacionados com a interoperabilidade, a flexibilidade, maiores consumos energéticos e maior complexidade dos sistemas, que exigem soluções inovadoras.
Estas soluções podem também residir no armazenamento.
O conceito de armazenamento de energia abrange diferentes tecnologias, algumas mais maduras e outras mais inovadoras, sistemas híbridos e controlos digitais que nos permitem deslocar a procura e a oferta de energia e controlá-las de acordo com as necessidades.
Um dos tipos de armazenamento, complexo em termos de maturidade, aplicação histórica e efeitos na rede, é a energia hidroelétrica e a bombagem.
“Energia hidroelétrica” não é a primeira palavra que se associaria ao armazenamento.
Quanto à produção, a energia hidroelétrica é a tecnologia de produção de energia renovável mais difundida e madura, fornecendo um sexto da eletricidade global atual, mais do que todas as outras fontes renováveis combinadas, de acordo com a IEA.
Esta disponibilidade e maturidade resultaram também no desenvolvimento do seu verdadeiro potencial para o armazenamento de energia: a bombagem hídrica, ou Pumped-Storage Hydropower.
Esta tecnologia de bombagem hídrica representou, em 2020, 95% de toda a capacidade de armazenamento de energia instalada a nível global (International Hydropower Association , 2023).
A União Europeia reconheceu a importância das tecnologias de armazenamento por bombagem para a mitigação das alterações climáticas e para o futuro dos sistemas energéticos, no relatório “Hydropower and pumped storage hydropower in the EU” ( Joint Research Centre , 2025).
Em Portugal, é evidente a predominância da energia hidroelétrica como fonte de energia, com uma contribuição no mix energético de 30%.
A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia, recentemente lançada, visa atingir 10,5 GW total de armazenamento de energia em 2040, incluindo baterias e bombagem.
Portugal dispõe atualmente de uma capacidade de de 3,6 gigawatts (GW) apenas em sistemas hidroelétricos de armazenamento por bombagem, que o governo pretende quase duplicar para 5,6 GW em 2040, confirmando o protagonismo que deve ser atribuído a esta tecnologia em termos de potencial de armazenamento e mecanismos de proteção da rede.
Atualmente, Portugal já dispõe de várias centrais hidroelétricas com bombagem que contribuem para a rede nacional.
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