MDM critica encaminhamento para clínicas privadas de mulheres para IVG
A Lei n.º 16/2007, de 17 de abril regula a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) em Portugal, despenalizando o aborto por opção da mulher até às 10 semanas de gestação.
O MDM refere, em comunicado, que a Interrupção Voluntária da Gravidez no Serviço Nacional de Saúde é um direito, que a lei não foi revogada, mas que "está a ser esvaziada, encerramento a encerramento".
"Quando uma mulher tem de procurar uma clínica, enfrentar burocracias, deslocar-se para outro concelho ou distrito e suportar custos de transporte, o direito existe apenas no papel. É a velha receita da direita conservadora: quando não consegue proibir um direito, dificulta-o até à exaustão", advoga o Movimento Democrático de Mulheres.
O MDM salienta ainda que "esta erosão prática do acesso à IVG -- filas, objeção de consciência sem mecanismos transparentes, encaminhamentos para clínicas privadas, ausência de consultas no SNS -- avança em simultâneo com o surgimento de movimentos de mulheres conservadoras que, em nome da família ou da vida, procuram impor os seus valores e condicionar as decisões das mulheres".
"O MDM afirma com clareza: nenhuma mulher pode ser usada para legitimar políticas que retiram direitos a todas as outras", sustenta o movimento.
As comissões de utentes dos concelhos de Almada e Seixal denunciaram no fim de semana que as interrupções voluntárias da gravidez foram "descontinuadas" no Hospital Garcia de Orta, mas a Unidade Local de Saúde assegurou que a situação é temporária.
Em resposta à Lusa, a Unidade Local de Saúde Almada Seixal, da qual faz parte o Hospital Garcia de Orta, confirmou que não está "a ser possível, neste momento, garantir resposta atempada às mulheres que pretendem avançar com a Interrupção Voluntária da Gravidez".
Por isso, "a ULS Almada-Seixal (ULSAS), mantendo o seu compromisso assistencial, firmou protocolo com um estabelecimento oficialmente reconhecido pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para a realização de interrupção da gravidez por opção da mulher", acrescentou, sem precisar o local.
A ULSAS adiantou ainda que "a solução temporária encontrada permite assegurar resposta atempada e segura às mulheres, sendo expectativa da ULSAS retomar a resposta interna brevemente".
Em comunicado as comissões de Utentes de Saúde dos concelhos do Seixal e de Almada, no distrito de Setúbal, referiram que a consulta de Gravidez Não Desejada da ULSAS "foi descontinuada" no dia 10 de agosto, "sendo criadas novas regras de acesso à IVG, cujo procedimento passará a ser feito numa clínica privada em Lisboa".
Também o grupo parlamentar do PCP enviou uma pergunta ao Governo "sobre a entrega a uma clínica privada" da Consulta de Gravidez não Desejada desde o início da semana.
Segundo o PCP, apesar de a ULSAS ter comunicado a possibilidade de a descontinuação da consulta ser temporária, "informou também que será extinto o email atualmente usado para este fim".
"Ao que se conhece, esta decisão terá sido justificada com carência de recursos humanos - médicos e de enfermagem, e, a partir daqui, as utentes, depois de se dirigirem ao seu Centro de Saúde serão encaminhadas para uma clínica privada em Lisboa, tendo as utentes que proceder ao agendamen
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.