Académico que acusou Jason Arday de plágio foi suspenso
Se a suspeição já pairava entre os corredores do meio académico em 2023, foi Nathan Cofnas quem a fez agigantar-se. Agora, o académico que acusou de plágio Jason Arday, o professor negro encontrado morto na sexta-feira passada, foi suspenso pela Universidade belga de Ghent enquanto decorre uma investigação disciplinar preliminar .
Cofnas acusou-o em julho deste ano de plágio, tendo ainda levantado dúvidas sobre o seu percurso académico. Semanas de escrutínio mediático levaram-no depois a deixar a prestigiada Universidade de Cambridge. E, dias mais tarde, a 14 de agosto, foi encontrado morto .
“Acabei de ser suspenso pela Universidade de Ghent. É quase certo que me vão despedir. A decisão foi tomada pela reitora Petra De Sutter, uma antiga líder do Partido Verde”, escreveu o académico e blogger Nathan Cofnas, um assumido “americano anti-woke” no X .
I was just suspended by Ghent University. They will almost certainly fire me.
The decision was made by rector Petra De Sutter, a former leader of the Green Party.
Numa publicação anterior, na mesma rede social, Cofnas divulga o comunicado conjunto assinado pelo reitor e vice-reitor da Universidade de Ghent. A instituição, que pretende ser “clara sobre os valores que mantém”, afirma estar “chocada” com a morte do académico e que o ocorrido “deveria levar à reflexão”.
“Atribuímos grande importância à liberdade académica e ao debate académico aberto, mesmo quando as opiniões são controversas. No entanto, essa liberdade não é ilimitada “, consta ainda do comunicado.
Demissão, plágio e dúvidas biográficas: a queda do professor negro mais jovem da história de Cambridge
Em maio deste ano, o autodenominado “realista racial”, de acordo com a imprensa internacional , passava por uma fase difícil. Dizia estar “agarrado à carreira académica com unhas e dentes” enquanto trabalhava como pós-doutorando na Universidade de Ghent. Foi nessa altura que um ex-colega lhe perguntou num email se já tinha ouvido falar de Jason Arday?
Posteriormente, Nathan Cofnas divulgou no Substack o texto “Fraude e encobrimento relacionados com a DEI em Cambridge” — de que Cofnas já disse não se arrepender. Nele, acusou a tese de doutoramento de Jason Arday de plagiar várias passagens de outro trabalho académico e pôs em causa relatos biográficos do professor, como ter sido uma criança incapaz de se expressar verbalmente até aos 11 anos e ter corrido 30 maratonas em 35 dias. Para Cofnas, Jason Arday não era apenas uma fraude, mas a representação do ‘politicamente correto’ .
A trajetória de Nathan Cofnas no Emmanuel College, vinculado à Universidade de Cambridge, chegou ao fim em 2024.
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