Lesados de agência tinham "amizade" com alegados burlões. "Confiávamos"
H á pelo menos sete grupos de pessoas que acusam a agência de viagens Horizonte Fácil, em Almada, de burla, conforme avançado esta quarta-feira pelo Correio da Manhã . O Notícias ao Minuto chegou à fala com um deles, que conta com 56 lesados e prejuízos na ordem dos 82.712 euros. Muitos tinham "relações de amizade" de várias décadas com os alegados burlões, pelo que "todos confiavam nestas duas pessoas".
"Todos os grupos tinham pelo menos uma pessoa que já tinha viajado com o Paulo ou com a Cláudia (independentemente da agência para a qual trabalhavam na altura) diversas vezes. No nosso grupo, uma de nós viajou com ele durante mais de 10 anos antes de ter este problema. Há pessoas que tinham relações de amizade com a Cláudia desde a infância. Portanto, todos confiávamos nestas duas pessoas, e não tínhamos motivos para não o fazer, uma vez que estas burlas não eram públicas", assinalou Andreia ao Notícias ao Minuto .
A lesada, que integrava um grupo de 11 pessoas com viagem marcada para Zanzibar, no valor de 23.535 euros, deu conta de que foram apresentadas 11 queixas-crime, que foram anexadas ao mesmo processo, em janeiro de 2026, no Porto. Apesar de não ter dados concretos, assegurou-nos que "quase todos [os lesados] já apresentaram queixa". Acresce que a Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou ao Notícias ao Minuto a existência de "quatro denúncias correspondentes contra a empresa mencionada", assim como outras "cinco denúncias contra a representante legal da mesma".
O grupo em causa contabiliza 56 lesados, com prejuízos de 82.712 euros. Andreia ressalvou, ainda assim, ter conhecimento de "pelo menos mais seis grupos de pessoas que também foram lesadas", mas desconhece pormenores.
A viagem de Andreia deveria de ter acontecido a 24 de janeiro. O grupo ficou a par da existência da Horizonte Fácil através de um funcionário, Paulo Silva, que tinha trabalhado noutras agências e que, naquela altura, laborava na empresa de Cláudia dos Reis Pereira.
"Apesar dos valores pagos, nunca nos foram facultados quaisquer comprovativos das reservas (números de booking, vouchers ou confirmações formais), documentos que solicitámos de forma reiterada. Perante a ausência total de provas, contactámos diretamente o operador turístico indicado no orçamento apresentado pela agência, tendo-nos sido confirmado que não existia qualquer reserva efetuada em nome de nenhum dos participantes da viagem", relatou.
A 20 de janeiro, e após várias tentativas de contacto, a sócia-gerente da agência "admitiu que a reserva inicial nunca chegou a ser confirmada e que acabou por ser cancelada". O grupo solicitou o reembolso integral das quantias pagas, que seria realizado em 14 dias. No entanto, e findo o prazo, foi-lhe dito que "não seria devolvido qualquer valor".
"Desde então, todas as tentativas de contacto têm resultado na mesma justificação, a alegação de que a conta bancária da empresa se encontra bloqueada em consequência das queixas apresentadas e que, por esse motivo, não tem forma de proceder ao pagamento", explicou Andreia, que apontou que "o mais importante era recuperar o nosso dinheiro".
Havia quem conhecesse Paulo "há mais de 30 anos".
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